A Felice Bonança Vazia P2.
A fase da aceitação. Eu olhei pra trás, e notando que meu passado foi a guinada para construir meu futuro, o vazio que eu sentia tomou prumo. Eu a deixei pra trás. Essa fato soou amargo em minha boca. Não como culpa. Mas como clareza pois ao olhar pro meu passado, nunca enxergaria as mesmas razões e motivações que ela tinha para agir. Ela agiu. Mas agiu conforme as forças que tinham lhe restado e com o possível que o destino a permitiu. Repeti o que ela já imaginaria que podia acontecer, supri as expectativas que ela tinha que já eram abaixo do baixo, e isso vinha como um peso tão grande na consciência que ainda que estivesse no alto, ao final do dia algo sempre me jogava de novo ao chão. Eu não soube amar. E ela também não sabia. E por meio de mim, além de continuar sem saber, ela ainda conheceu a dor e o amargor do abandono, que alguns meses depois seria um peso tão grande, machucaria tanto o coração a ponto dele pedir parada na vigésima quinta estação. E assim, eu também nunca pude conhecer o amor. Mas levei comigo uma única certeza da chance desperdiçada que a impaciência me causou. Ela poderia ter me amado. Talvez ela já me amava. E eu poderia tê-la retribuído. Hoje, me despeço com a falta cortante de uma ausência jamais despercebida.
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