Gessika Nielly @NiellyS
Sociedade

Fim de linha.

Ouço o pavoroso ruído, Que emite o televisor: É notícia, novela, Ou um filme de terror? "Homem é morto aos 42 anos" Informa o narrador, A história do rico e influente, Assassinado sem temor. Era uma quinta ensolarada, Quando alguém me denunciou, Sendo mocinha ou vilã, O dolo se confirmou. O olhar era meio acinzentado, E o aroma bastante azedo, A pele pálida como neve, E a finada expressão de medo. Foi o que sobrou do corpo robusto, E não houve quem testemunhou, O crime quase perfeito, Traído pela boca que confessou. As algemas cercando o punho, Vivendo cercada por quatro muros, É um cemitério de gente viva, Um custo alto, um preço duro. Não há saída do plano térreo, Sem alto preço para pagar, E por motivos com esses, O que motivou a matar? A narrativa da mulher violentada, O chefe da casa risonho mas abusivo, Com duas personalidades, Distintas como o infinito e o finito. Sem a linha tênue da cela e do lar, Vivendo socialmente presa, Naquele crítico e famoso drama, Sem outro rumo a tomar. E eis que me perguntam; Era necessário mesmo matar? E com um sorriso, eu respondo, Que outro jeito iria tomar? Uns veem a intensa brutalidade, Do topo morto e opaco, Eu vi as consequências De uma mulher só os cacos. E hoje, duas décadas depois, Início minha reintegração, Do lado de fora sendo aplaudida, Por quem entendeu o meu crime como solução. E eu de dentro daquela cela, Despertei mais espirito acolhedor, Que o corpo no matagal, Largado e sem um dado valor.

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