Depoimento de um condenado (Parte 2/2)
Iniciando a trajetória de um ex-prisioneiro, Fui flanela, fogueiro e padeiro... Tentando conseguir dinheiro, Pra mudar minha vida por inteiro. Sem uma borracha da vida, Não pude apagar aquela rota perdida, Perdi o emprego e o dinheiro pra comida, Preso em um beco sem saída. Largado em um batente quebrado, Não tinha nem cinco centavos, Para cobrir meu estômago esfomeado, Assim era constantemente observado. Depois de muito olhado, Há quem notou meu estado desolado, Então para um abrigo fui mandado. Ali seria renovado. Mesmo um pouco atrapalhado, E do meu passado, envergonhado, Fui ficando alinhado, Até para um novo emprego fui chamado. O tempo tomando as rédeas e os caminhos, Ainda que cheio de espinhos, Estrada que eu iria trilhar sozinho, De raminho a raminho. Quando foi vista a minha transformação, Encheu-se meu coração, De tamanha satisfação, Por essa tomada de decisão. E o destino acolhedor, Devolveu o meu valor. Da minha vida, virei o escritor. Relatando sempre o meu louco interior. Nessa caminhada, encontrei minha paixão. Que por uns três anos, foi apenas ilusão. Mas hoje é o motivo dessa exaltação, Aquela que me incentivou a abrir o coração. Fui de inocente a culpado, De culpado a trancado, De trancado a desolado. Hoje sou realizado, e no mais, um bobo apaixonado.
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