Depoimento de um condenado. (Parte 1/2)
Passei por esse mundo louco, Andei de um jeito meio torto, Cheguei a ser quase morto, Tardei em sumo desconforto. Na vida detrás do xadrez, O tempo passava, mês em mês, E eu tratado naquela rigidez, Sobrevivendo na mísera escassez. Apontava o tempo na singularidade, Como supôs o velho amigo Einstein, No buraco negro, a dura eternidade. E de vez em vez, assim eu via o cárcere. O sistema prisional não delatado no jornal, Calava a má estrutura judicial, Fazia do crime local, Uma febre nacional. Fui um em meio a vários marginais, Que veem na vida do crime, os pilares sociais. O altivo jeito de colecionar rivais, Cego pelos práticos êxitos pessoais. E eu era o preso mais isolado, Visita familiar? Não é coisa de rejeitado. E perguntaram o motivo de ter sido trancado; Ah, eu respondi: me pegaram drogado. Diria eu que não possuo sangue na mão, Mas sei que isso seria invenção. Pois passei a possuir ao trair minha criação, Desviando meus valores atrás de "realização". Minha mãe morreu, faleceu de decepção. E quando a droga tomou tal dimensão, Passei a dever ao chefão, que levou meu irmão Como uma cruel solução. Sangra mão, pé e orelha, As vividas memórias em uma chama vermelha, O vasto reinício parte em uma centelha, Desvelando as drogas de qualquer guelha.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.