Entre a flor e a ferida
escrevo com sangue nos olhos e flor no peito, porque a dor me ensinou a amar sem pedir respeito. sou cria da rua sem nome, onde o amor nasce torto mas ainda floresce — mesmo com a bota no pescoço, a gente não esquece como é sonhar. meu grito é rima, meu verso é faísca, explode na cara dos coxinha que nunca pisaram na pista. falo de amor também, mas é amor de sobrevivente: que beija com medo, mas beija ardente. não tenho diploma, mas tenho vivência. minha poesia vem suada, vem suja, vem quente, é lágrima, é punho, é bala que não mente. sou a lágrima da mãe preta, o beijo dado no beco, o caderno do mano preso, a esperança que ainda ecoa mesmo com o mundo seco. sou marginal porque amo demais num sistema que só odeia. sou poema que sangra, mas que também semeia.
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