Máscara
Eu andava de olhos abertos e ainda assim não via. Acreditava nas vozes doces, nos gestos ensaiados, nos sorrisos que não tremiam. Era tão claro — e eu tão cega. A verdade estava na minha frente, mas eu preferia o conforto da ilusão bonita ao corte frio da lucidez. Até que um dia a venda caiu sozinha. E doeu. Do jeito que só dói quando a gente percebe que confiou demais. Então pensei: talvez seja melhor ter máscara, talvez seja mais seguro fingir, talvez o mundo respeite mais quem esconde do que quem sente. Mas no fundo eu sei — máscaras protegem, mas também sufocam. E ser verdadeira pode ferir, mas também liberta. Agora caminho diferente: não totalmente ingênua, não totalmente fechada. Aprendi que enxergar dói — mas é melhor do que viver no escuro confortável de uma mentira bonita.
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