"Deus vive por nós"
Diz o que tem fé inabalável
Que lhe dá o sentido
- Mesmo entre nós -
Da vida numa dúvida
Inabitável.
Talvez abandonada
No ventre do silêncio
De todas as vidas.
"Deus vive por nós"
Afirma o ateu
Que, sem nós,
Dá a Deus o sentido de ADEUS
Numa dúvida convicta:
Dar Adeus a Deus
Exige uma saudade infinita.
Uma multidão
Acredita na invenção
Da felicidade
Escondendo-se
Do medo de amar:
Visita, com dedicação,
Os fósseis infiéis
Para se consolar
Da solidão de ter amado.
O diferente
Sem nada na frente
É indiferente
O diferente
Entre os diferentes
É parecido
O diferente
Entre os iguais
Iguala o esquisito
Os iguais
Entre os diferentes
São diferentes presenças
Para a igualdade na diferença:
A diferença faz a diferença.
A palavra no muro
Afogada
Vivendo a nada a quem passa
Passa nadando tudos,
Mas revólver almas como murro
A quem a mata
Respirando fundo:
No muro o convite
Da palavra à linguagem inteira:
Gentileza.
O tempo passa
Pela sua máquina
De moer carne
Identidades
e o que se move.
O tempo corre
Atrás da vida
Só para a frente
Tudo o que finda
Começa sempre.
O tempo é curto
Curto circuito
Em quem o mata
Para vivê-lo.
O tempo morre
O tempo inteiro
Passando em tudo
O que ele passa.