Pequena Menina
Quando confiaste em mim, apossei-me do teu corpo, num ato de soberania sobre um ser lascivo, um corpo a mim confiado. Fui herói, fui senhor, e tu eras minha naquele entardecer. Meus dedos brincavam travessos pelos teus músculos e braços, e em teus seios pequenos. Na noite em que foste minha, teu corpo foi meu paraíso perdido, refúgio de um guerreiro cansado de lutar. Nessa noite em que fui dono do mundo e senhor do universo, pude ser aquele em cujo peito repousaste, sentindo-te segura. Eu, mero homem sonhador, pequeno menino brincalhão, me perdia em tuas curvas, seguia por tuas estradas, explorava tuas montanhas. E naquele breve momento, naquele instante sublime, pude eu tocar-te com o gesto mais sutil, com o ato mais sincero, e adentrar em teu mais profundo ser. Pude eu, naquele instante, naquele único momento, dizer que eras minha, minha pequena menina.
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