Tanto. Quanto!
Em segundos de pensamentos não quero mais ser real, gostaria de ser palavras sem pedestal Queria viajar no vento como folha no outono a cair Desbravar a chuva quando eu terra lama se formar Tudo isso ainda é real, talvez não em minha forma de ver. Quero ser exclamação de poeta louco chorando sem querer Quero a brisa molhada das palavras das crianças com suas brincadeiras intermináveis Morar em uma casa de João de barro sem janelas e armários Sair assoviando orquestras em feira de artesanatos. Voltar em mim e não me conhecer como certo no tempo. Perder as estribeiras e sair ralando minha pele nos portões. Sentir que estou vivo só por ouvir os barulhos dos trovões. Dançar vazio como música eletrônica, sentir sutil como reflexo de marimbondos em pequenos espelhos espalhados e quebrados em um lixão. Por ser sim ou por ser não Quero o talvez como ignição. Viver em paz com a guerra e me felicitar com a morte. Pois em segundos sabemos que estamos e no outro será que saberemos que deixamos? Viver é a arte de não saber e ter que entender o quanto não sabemos e nem somos coisa nenhuma.
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