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Miranda

@MirandaTalita · desde 2019

Cotidiano In(Verso)

24 poemas 10 seguidores 6 seguindo

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Arte é ofício (em construção)

Silêncio da noite Peguei a caneta Papel em branco Tinta bem preta Precisamente Nanquim Pingo agora só um pouquinho Para não te borrar Começo, vou divagar Memória que vem de você Então, ponho-me a escrever Mas a escrita é irregular Eu tenho pressa, eu quero acabar A Rapidez em mim é um problema Sem rima desafio o esquema Me vem novamente você Não sei mais o que dizer Preciso me concentrar Recomeço, então, devagar Divago por horas assim Eu Cansei! Vou te colocar de lado Não sei escrever o recado Não entendo sobre este poema É que dá pane ao meu sistema Concluo que é melhor parar Não, Se começo, tenho que terminar Descarto o papel lá fora Pego outro, refaço a história Escrevo sobre o escritor O ofício é um labor Certas vezes me causa dor Quem sabe quando vai passar? Eu penso, quero elaborar São todos caracteres de mim Logo, arrisco e risco Dou início ao fim

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Lives Black matter : Vidas Negras Importam

Em meio uma Pandemia Um corpo assassinado vira assunto de jornal Atos Foucaltianos Eu falo aqui de Suplício Se exterminam inocentes Com as mãos policial Em meio uma Pandemia, A minha pele segue em marcha Sai de dentro da perifa Todos em rumo à Central - Corpo - de - cor - Foi tombado pelo Estado Estado Nazifascista Por uma plano Capital Chega! Não aguento mais A minha carne não vai cair pelos seus ideais Chega! Não aguento mais A minha voz ecoará o mundo Enquanto houver truculências policiais Eu grito, Dê um Basta! A cor da minha pele Não pode ser suprimida por causa de um genocida que está no poder Com os meus irmãos, marcho unificada Vou denunciar tudo que está a acontecer De Punhos cerrados Com a Espinha Ereta Seguiremos às ruas Vamos derrubar você! Pelo sangue de Ágatha Pelo de Marielle e por todos àqueles que não passaram na Tv A cor da minha pele, A pele que traz minha cor A cor da minha pele A pele de minha cor A cor da minha pele Que o Estado assassinou A cor da minha pele não pode te causar pavor A cor da minha pele Destronada Desraizada Quando Navio Negreiro aqui aportou A cor da minha pele A pele de minha cor Não vai pedir clemência! Seguiremos firmes, Unidos todos pela nossa existência! A cor ressurge O gigante acorda Unifica A rua grita Contra o Estado Eugenista que você implantou Chega! Há cor! Somos de cor! Então, tenha respeito pelo sangue do Ancestral que VOCÊ já jorrou Há cor! Somos de cor! Então, tenha respeito Pelo mais novo que você já matou Há cor! Somos de cor! E a Minha marcha, é Afrodiaspórica! Vidas Negras Importam. Miranda, Talita.

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Anticapitalismo

Ser Capital é poder matar com a legitimação do Estado genocidar o povo que já é deslegitimado utilizar a tecnologia bélica Pra manutenção dessa covardia Que Oprimi às massas A favor duma tirania Ser Capital é Poder atuar em prol de toda propriedade É usar gado ou manobra pra legitimar essa atrocidade É visar o lucro em plena pandemia Que destrói famílias À noite ou luz do dia Ser Capital é Poder usar um sistema predatório e desumano Pra colocar vidas em situação de abandono É privilegiar a classe que sempre foi mais abastada Com a mais-valia do trabalho Pra população continuar sempre escrava Ser Capital é Poder ver a fome apertar, sem ser à sua mesa garantir seus privilégios com rigor e certeza De que o outro lado Vive à margem e à pobreza, Sem ter muitas vezes nem casa pra morar Ser Capital é Poder Entretanto, Se não tenho Não lucro Não posso Não existo!

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Meus Velhos

Dou um salve à Ancestralidade Porque a sabedoria sempre vem de lá Pretos Velhos fumaçam cachimbos Na hora que estão a trabalhar Tem Preto chamado Tião No Terreiro da Vovó Conga Eu canto Adorei as Almas Os guias protegem o lugar No dia 13 de maio Os Velhos estão pra chegar Mais tarde tem batida de Umbanda Então, Eles vêm nos limpar Com as ervas quinadas fresquinhas Agora eu vou me banhar Firmo um toco ali na casinha Pra Exu primeiro aprovar Eu canto Adorei as Almas Saúdo às Velhas do altar Primeiro, firmo Anjo de guarda Segundo, o meu Orixá Não pense, então, meu parceiro Que o mal em mim chegará Eu clamo Adorei as Almas Com elas estou a porfiar Minha Véia aqui no Terreiro Traz consigo o meu Patuá Fumaça, minha Véia, o cachimbo Pra paz do mundo voltar Depois que Ela fizer limpeza Seu corpo leve ficará A Pemba demarca a certeza Que tudo de ruim passará. Miranda, Talita. Meus Velhos

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Stay at home

Eu tentei sair do locus Começar outra vida Esquecer do passado Já que ponta de esgrima Eu quero ludibriar Dei-me nova autoestima Viajei por longânimos Esculpi outra rima Eu Pensei em renovar Mudei meu visual Fiz algumas amizades Mas o assunto era banal Com essas, eu findei Abdiquei do irreal Se produzo a Ciência Sou uma intelectual Eu liguei a TV Seu assunto principal It said stay at home, please Isso era global Falava sobre um vírus, Que o Covid é Letal Se o Século é XXI A Pandemia é do mal I think about It I can back But now leave my dreams I suffer Volto à minha cidade Voo rápido, Real estou em casa No entanto, Hiperventilo Then, I stay! Miranda, Talita. Stay at home

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De Amare

Tentei falar de Amor Entretanto, é substantivo abstrato escrevo ... Miranda, Talita. De Amare

Renascimento

Abri a porta O Salmão à mesa Camarão refogado Vinho branco é riqueza Se todos aqui podem compartilhar Perguntei: -tem evento? Disseram-me: - é ressurreição Disse misericórdia, tenha compaixão Porque lá fora há muitos irmãos Que não têm comida, nem mesmo lugar. Se naquela casa O cardápio à mesa Dentro de mim sinto eterna tristeza Se tanta gente vive à pobreza Sem ter alimento para provar Falaram-me que hoje é dia de ressurgir Que Papai do céu está aqui Mas minha gente está a pedir Uma moeda a mendicar Renascer Ressurgir Embrulhada do estômago, Saio, Enquanto a miséria não se cessar Desobrigo-me, então, De todo Rito Se lá de fora Existe um grito Do corpo humano que está aflito Sendo obrigado a jejuar Sem conseguir saciar sua Fome.

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Quanto custa?

460 era o valor avaliado Uma cama, um colchão Um porta retrato Era quarto coletivo Dividido Sem resmungar 460 era o valor avaliado Bairro nobre Bem instalado Quero dizer, o bairro Meu Corpo? mal dormido Era apenas um abrigo Um Lugar pra ficar 460 era o valor avaliado Geladeira e fogão enferrujados Tinha um chuveiro elétrico escangalhado Mobiliário e arrumadeira Uns Chocolates na prateleira Por 460, resolvi ficar Sentei à mesa Com a luz acesa Abri as cortinas Me pus a pensar 460, Sem solidão 460, Dinheiro à mão 460, Numeração 460, Contratação Quanto custa? 460.

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Ômega

Um Corpo jogado Refletido no mundo Sensação de vazio não completa, faz frio Anda de um lado, Hesita o mergulho Anda pro outro Desespero não cessa Habita o deserto, Mas nele não há luz Só terra seca Desastre desvela Desgosto em si Sente a tormenta areia que move se move Movediça Sozinho, ele fica Somente o breu conduz Sozinho continua Cicatrizes? diversas Não tem pai Não tem mãe Não tem amigo É corpo solo Que a mente alucina Não tem pai Não tem mãe Não tem amigo É corpo solo Que a solidão baratina Não tem pai Não tem mãe Não tem amigo É corpo Que conheceu o abismo E decretou seu fim Não tem nada, e eu também!

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Toque de engano

Hoje fumei uma carteira de cigarro Corpo cheio a fumaçar o vazio Calafrio Tristeza Angústia Solidão Dor Agoniada Celular à mesa Cem tipos de toque Uma esperança acesa Coisas da minha cabeça Camuflar o frio Sombrio e arrepio do telefone que toca Mas não me traz resposta Nem uma mensagem exposta Espaço separa O meu ser do teu ser Respiro fundo Coabitar o profundo finalmente sem esperança Confusa por uma lembrança Inebriada por você Transitei o abismo de mim. Miranda, Talita.

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