Silêncio da noite
Peguei a caneta
Papel em branco
Tinta bem preta
Precisamente Nanquim
Pingo agora só um pouquinho
Para não te borrar
Começo, vou divagar
Memória que vem de você
Então, ponho-me a escrever
Mas a escrita é irregular
Eu tenho pressa, eu quero acabar
A Rapidez em mim é um problema
Sem rima desafio o esquema
Me vem novamente você
Não sei mais o que dizer
Preciso me concentrar
Recomeço, então, devagar
Divago por horas assim
Eu Cansei!
Vou te colocar de lado
Não sei escrever o recado
Não entendo sobre este poema
É que dá pane ao meu sistema
Concluo que é melhor parar
Não,
Se começo, tenho que terminar
Descarto o papel lá fora
Pego outro, refaço a história
Escrevo sobre o escritor
O ofício é um labor
Certas vezes me causa dor
Quem sabe quando vai passar?
Eu penso, quero elaborar
São todos caracteres de mim
Logo, arrisco e risco
Dou início ao fim
Continuar lendo
Em meio uma Pandemia
Um corpo assassinado
vira assunto de jornal
Atos Foucaltianos
Eu falo aqui de Suplício
Se exterminam inocentes
Com as mãos policial
Em meio uma Pandemia,
A minha pele segue em marcha
Sai de dentro da perifa
Todos em rumo à Central
- Corpo - de - cor -
Foi tombado pelo Estado
Estado Nazifascista
Por uma plano Capital
Chega!
Não aguento mais
A minha carne não vai cair pelos seus ideais
Chega!
Não aguento mais
A minha voz ecoará o mundo
Enquanto houver truculências policiais
Eu grito,
Dê um Basta!
A cor da minha pele
Não pode ser suprimida
por causa de um genocida que está no poder
Com os meus irmãos, marcho unificada
Vou denunciar tudo que está a acontecer
De Punhos cerrados
Com a Espinha Ereta
Seguiremos às ruas
Vamos derrubar você!
Pelo sangue de Ágatha
Pelo de Marielle
e por todos àqueles
que não passaram na Tv
A cor da minha pele,
A pele que traz minha cor
A cor da minha pele
A pele de minha cor
A cor da minha pele
Que o Estado assassinou
A cor da minha pele
não pode te causar pavor
A cor da minha pele
Destronada
Desraizada
Quando Navio Negreiro aqui aportou
A cor da minha pele
A pele de minha cor
Não vai pedir clemência!
Seguiremos firmes,
Unidos todos pela nossa existência!
A cor ressurge
O gigante acorda
Unifica
A rua grita
Contra o Estado Eugenista que você implantou
Chega!
Há cor!
Somos de cor!
Então, tenha respeito
pelo sangue do Ancestral
que VOCÊ já jorrou
Há cor!
Somos de cor!
Então, tenha respeito
Pelo mais novo
que você já matou
Há cor!
Somos de cor!
E a Minha marcha,
é Afrodiaspórica!
Vidas Negras Importam. Miranda, Talita.
Continuar lendo
Ser Capital é poder
matar com a legitimação do Estado
genocidar o povo que já é deslegitimado
utilizar a tecnologia bélica
Pra manutenção dessa covardia
Que Oprimi às massas
A favor duma tirania
Ser Capital é Poder
atuar em prol de toda propriedade
É usar gado ou manobra
pra legitimar essa atrocidade
É visar o lucro em plena pandemia
Que destrói famílias
À noite ou luz do dia
Ser Capital é Poder
usar um sistema predatório e desumano
Pra colocar vidas em situação de abandono
É privilegiar a classe que sempre foi mais abastada
Com a mais-valia do trabalho
Pra população continuar sempre escrava
Ser Capital é Poder
ver a fome apertar, sem ser à sua mesa
garantir seus privilégios com rigor e certeza
De que o outro lado
Vive à margem e à pobreza,
Sem ter muitas vezes nem casa pra morar
Ser Capital é Poder
Entretanto,
Se não tenho
Não lucro
Não posso
Não existo!
Continuar lendo
Dou um salve à Ancestralidade
Porque a sabedoria sempre vem de lá
Pretos Velhos fumaçam cachimbos
Na hora que estão a trabalhar
Tem Preto chamado Tião
No Terreiro da Vovó Conga
Eu canto Adorei as Almas
Os guias protegem o lugar
No dia 13 de maio
Os Velhos estão pra chegar
Mais tarde tem batida de Umbanda
Então, Eles vêm nos limpar
Com as ervas quinadas fresquinhas
Agora eu vou me banhar
Firmo um toco ali na casinha
Pra Exu primeiro aprovar
Eu canto Adorei as Almas
Saúdo às Velhas do altar
Primeiro, firmo Anjo de guarda
Segundo, o meu Orixá
Não pense, então, meu parceiro
Que o mal em mim chegará
Eu clamo Adorei as Almas
Com elas estou a porfiar
Minha Véia aqui no Terreiro
Traz consigo o meu Patuá
Fumaça, minha Véia, o cachimbo
Pra paz do mundo voltar
Depois que Ela fizer limpeza
Seu corpo leve ficará
A Pemba demarca a certeza
Que tudo de ruim passará.
Miranda, Talita. Meus Velhos
Continuar lendo
Eu tentei sair do locus
Começar outra vida
Esquecer do passado
Já que ponta de esgrima
Eu quero ludibriar
Dei-me nova autoestima
Viajei por longânimos
Esculpi outra rima
Eu Pensei em renovar
Mudei meu visual
Fiz algumas amizades
Mas o assunto era banal
Com essas, eu findei
Abdiquei do irreal
Se produzo a Ciência
Sou uma intelectual
Eu liguei a TV
Seu assunto principal
It said stay at home, please
Isso era global
Falava sobre um vírus,
Que o Covid é Letal
Se o Século é XXI
A Pandemia é do mal
I think about It
I can back
But now leave my dreams
I suffer
Volto à minha cidade
Voo rápido, Real
estou em casa
No entanto,
Hiperventilo
Then, I stay!
Miranda, Talita. Stay at home
Continuar lendo
Tentei falar de Amor
Entretanto,
é substantivo abstrato
escrevo
...
Miranda, Talita. De Amare
Abri a porta
O Salmão à mesa
Camarão refogado
Vinho branco é riqueza
Se todos aqui podem compartilhar
Perguntei: -tem evento?
Disseram-me: - é ressurreição
Disse misericórdia, tenha compaixão
Porque lá fora há muitos irmãos
Que não têm comida, nem mesmo lugar.
Se naquela casa
O cardápio à mesa
Dentro de mim sinto eterna tristeza
Se tanta gente vive à pobreza
Sem ter alimento para provar
Falaram-me que hoje é dia de ressurgir
Que Papai do céu está aqui
Mas minha gente está a pedir
Uma moeda a mendicar
Renascer
Ressurgir
Embrulhada do estômago,
Saio,
Enquanto a miséria
não se cessar
Desobrigo-me, então,
De todo Rito
Se lá de fora
Existe um grito
Do corpo humano que está aflito
Sendo obrigado a jejuar
Sem conseguir saciar sua Fome.
Continuar lendo
460 era o valor avaliado
Uma cama, um colchão
Um porta retrato
Era quarto coletivo
Dividido
Sem resmungar
460 era o valor avaliado
Bairro nobre
Bem instalado
Quero dizer, o bairro
Meu Corpo?
mal dormido
Era apenas um abrigo
Um Lugar pra ficar
460 era o valor avaliado
Geladeira e fogão enferrujados
Tinha um chuveiro elétrico escangalhado
Mobiliário e arrumadeira
Uns Chocolates na prateleira
Por 460, resolvi ficar
Sentei à mesa
Com a luz acesa
Abri as cortinas
Me pus a pensar
460,
Sem solidão
460,
Dinheiro à mão
460,
Numeração
460,
Contratação
Quanto custa?
460.
Continuar lendo
Um Corpo jogado
Refletido no mundo
Sensação de vazio
não completa, faz frio
Anda de um lado,
Hesita o mergulho
Anda pro outro
Desespero não cessa
Habita o deserto,
Mas nele não há luz
Só terra seca
Desastre desvela
Desgosto em si
Sente a tormenta
areia que move
se move
Movediça
Sozinho, ele fica
Somente o breu conduz
Sozinho continua
Cicatrizes?
diversas
Não tem pai
Não tem mãe
Não tem amigo
É corpo solo
Que a mente alucina
Não tem pai
Não tem mãe
Não tem amigo
É corpo solo
Que a solidão baratina
Não tem pai
Não tem mãe
Não tem amigo
É corpo
Que conheceu o abismo
E decretou seu fim
Não tem nada, e eu também!
Continuar lendo
Hoje
fumei uma carteira de cigarro
Corpo cheio a fumaçar o vazio
Calafrio
Tristeza
Angústia
Solidão
Dor
Agoniada
Celular à mesa
Cem tipos de toque
Uma esperança acesa
Coisas da minha cabeça
Camuflar o frio
Sombrio e arrepio
do telefone que toca
Mas não me traz resposta
Nem uma mensagem exposta
Espaço separa
O meu ser do teu ser
Respiro fundo
Coabitar o profundo
finalmente sem esperança
Confusa por uma lembrança
Inebriada por você
Transitei o abismo de mim.
Miranda, Talita.
Continuar lendo