Se aproxima mais uma vez a data,
em que os enamorados festejam!
Se amam, se abraçam, loucos se beijam
qual quem estava de um amor à cata.
E eu continuo tão só, chutando lata,
enquanto todos, seus amores almejam!
Sou daqueles que muitos apedrejam
por ser, talvez, "persona non grata."
Perdoai este poeta sem a musa!
Tomara que este texto me conduza
aos braços "calientes" de um amor.
Enquanto não, traçando meu caminho,
vou curtindo o destino de, sozinho,
provar da solidão da minha dor!
Miguel de Souza
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Visto-me de luz. Luz tênue,
nesse rosto frágil-denso;
que ao escuro, está propenso,
fadado à inércia contínue.
Sagro-me ao esmalte alvo:
– postal físico do homem.
Na face lúgubre de ontem,
não hoje... deveras salvo!
Dispo-me desse olhar-siso,
ingaio apesar de tudo!
E, pra tristeza, estou mudo.
Antes do dístico, friso!
Mas este semblante acre,
da melancolia, abre o lacre.
Miguel de Souza
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no giro
do fio,
a morte
do verde.
eu miro
a stihl
pro corte!
e hei-de...
e firo
com brio,
má sorte!
e a sede...
retiro
o frio
do porte
e sei de
tudo isso
de cor.
miguel de souza
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Eu já vi muito gênio sem estudo
e, também, imbecis com doutorado.
Adalberto Amorim
Por que será que um rude jardineiro,
depois do seu labor cotidiano;
dia a dia, mês a mês, ano a ano,
não pode, neste solo brasileiro,
em letras garrafais, neste letreiro,
escrever um poema inspirado,
sem passar pelo preconceito irado
daqueles que acham que já sabem tudo!
Eu já vi muito gênio sem estudo
e, também, imbecis com doutorado.
Miguel de Souza
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Para Miguel de Souza
Perfume das flores
suor e mãos calejadas
ofício do jardineiro.
De: Rayder Coelho
In: Nem te Conto dos meus Poemas
P: 81
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Sobrancelhas
são caminhos
grossos
Feito telhas
sobre os olhos
nossos
Miguel de Souza
In. Corpoemas
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Tropeço, não caio.
No mês sem nenhum talvez,
celebrante maio.
Miguel de Souza
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Numa manhã de domingo
acostumada às vitórias,
escreveu numa curva negra,
a lauda desta história!
Trazia no bojo,
o arrojo!
Não era cena.
Era Senna!
E numa curva: Tamburello,
tomba o nosso herói
de verde e amarelo.
Mas como dói!
Miguel de Souza
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Riso parco na face,
Olhos belos no rosto,
Moreno lindo na tez...
Ela surge, sem disfarce,
No palco da sua vida!
Inteligente e querida.
Assim que Deus a fez!
Miguel de Souza
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na palma do prato
– igarapé diminuto –
nadam cebolas
de cheiro ou não
e, de bubuia,
sob o caldo raso
o peixe teso
pro deguste do caboco
queda-se ao sabor
da caldeirada.
miguel de souza
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