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O universo
São versos escritos...
E vez ou outra, perdidos.
Olho as estrelas
Durante uma madrugada serena.
Pois um poeta na noite morta,
Não precisa de sono.
As estrelas são como versos escritos,
Porém, nunca lidos.
Versos entalados na garganta
Dos pobres tolos apaixonados.
Meu corpo se curva ante um mundo
Que o desconhece.
Minha memória contorcida em mistério.
O homem acha o Cosmos infinitamente grande.
E o microscópio minimamente pequeno.
Mas o homem julga-se de tamanho natural.
Já para mim, cada ser é um universo próprio.
Versos inacabados
Com gotas de sangue de poetas,
Que se perdem por este vasto universo.
-Leh
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Com os dedos miúdos e delicados,
A garotinha escreve um nome na vidraça embaçada…
Encantadoramente malfeitos.
As letras escorrem…
E apaga as letras lacrimejantes da vidraça.
Então...
Ela recomeça.
(Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar).
-Leh
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Tevês bebem olhares
E acariciam corpos cansados.
Balas perdidas,
Abrem buracos em testas inocentes,
Onde sobram poucos sobreviventes.
Crimes que lá cometeram,
Mas não deixaram nenhum indício.
Afinal, hoje tudo é fictício.
Corpos se curvam ante o desconhecido,
Esperando serem reconhecidos.
E terem desejos frágeis de serem felizes.
Num mundo onde há bilionários tentando tirar suas próprias vidas,
E vivendo infelizes.
Num mundo onde as pessoas
Andam vazias de sentimentos.
Onde em seus corações,
Há somente lamento,
E o descontentamento
Com a vida e seus devaneios.
-Leh
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Que sei eu, sem pensar na morte?
Tão pequena é nossa margem de vida.
A morte é a única coisa que podemos adorar sem decepção…
A morte temos que adorá-la, para que a vida ressuscite.
A vida é como um pássaro,
Podemos assim dizer…
Não se pode vencer um pássaro.
Ele nunca se renderá.
Talvez por isso, lhe demos tiros…
Ou os admiramos.
Às vezes, sem que se percebas,
Disparas e matas…
Ou então, o deixas.
A vida segrega a morte à sua volta como um escudo.
O tempo que meço é nenhum.
O que te é dado, é tudo.
E após viver (ou sobreviver, assim queiras dizer) nesta terra,
Você a deixa sem querer.
E por fim, o que resta…
É uma simples marca de vida.
-Leh
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“O que os olhos não vêem,
O coração também sente...
Pois há coisas que só conseguimos ver
De olhos fechados.”
E você, o que vê quando fecha os olhos?
Há pessoas que dizem não ver nada além da escuridão.
Mas também há quem diz ver o inexplicável,
Pois vêem coisas demais.
Vêem o que temem…
O que sente, mas não diz.
O que há guardado em um baú, só para si.
A mente humana é tão misteriosa quanto confusa…
Não te dá medo?
Viver tão só de momentos,
Como estas nuvens no céu.
Momentos silenciosos e levemente melancólicos.
O vento vem cheio de ideias vãs,
Põe-se a pensar em outras coisas…
Só vos digo que
Nesses ocultos assuntos,
Nada se pode dizer.
-Leh
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É como se eu abrisse uma janela na frustração da chuva.
Chove, e cada gota,
É como uma rima triste.
Meu coração bate sozinho,
No velho moinho da solidão.
Seus ombros sentem frio.
Enquanto as chamas da clareira sobem
Chaminé acima.
Olho para você com toda fervura do meu amor por ti.
Te vejo como um mapa secreto,
Do qual quero desvendar.
Então, finalmente, você se levanta…
Sinto teus lábios macios
Tocarem levemente em minha testa.
E com lágrimas nos olhos,
Você parte.
E eu, já com a vida sem vida,
Choro como a chuva que cai.
Eu é quem sinto frio agora.
Sem você,
Eu sinto fome de estar bem.
-Leh
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Sentado na mesa do bar,
Penso em você…
E sinto falta do que nunca tive.
Toda as manhãs,
Tenho ar de saudade no respiro.
Tenho marcas de insônia em meu corpo.
Você partiu com a minha voz em sua garganta...
Me lembro do seu último “eu te amo!”.
Você partiu sem ter tempo de ser minha
Como as outras.
Agora, tenho que dormir só.
Sob o zumbido inquietante dos grilos.
Com meus olhos embriagados
De uma noite que nunca parece ter fim.
-Leh
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“Pode alguém vencer
Sem perder o mínimo de si?”
Não há falta de fundos sentimentais,
Mas sim, uma desmedida deles…
Escaldantes e gelados.
Tão estranha pra mim,
Esta ausência de pensamentos.
Pouco sei falar sobre algo positivo.
Pois em mim, tudo agora está escasso.
Peso, por que pesas tanto?
É o silêncio que devo escutar.
Mas ele me causa medo… arrepios.
Às vezes, até eu me fujo...
Que é pra não encarar a realidade.
Pois ela também me causa medo e arrepios.
Tantas coisas que me foram dadas.
Tantas coisas que eu perdi.
Vejo tudo passando como um sopro.
A sede é o desejo...
Sinto fome, sinto medo.
Porque a noite chega.
Já o amanhã,
Ninguém sabe.
-Leh
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Deito-me sob a grama úmida.
Que ironicamente me aquece.
O silêncio bebe a chuva de outono.
Gosto do canto dos grilos,
Que cantam melancolicamente…
Pois a vida dentro de casa,
És um eterno clima severo.
Na sala, há uma mulher irreal…
Que nos últimos anos de sua vida,
Passava o dia inteiro numa poltrona.
Incapaz de falar...
Reduzida ao estatuto de uma criança desamparada.
Enquanto isso, lá fora,
Ventos milenares penteiam o cabelo aberto das árvores.
Logo percebi, há uma árvore doente…
Quase não tem folhas,
O seu rumor é fraco no vento.
E em sua volta,
As crianças cobertas de inocência,
Jogam o jogo da escassez da vida.
Me vejo naquela mulher.
A mulher se vê na árvore.
E numa só junção,
Acabo me tornando um par de melancolia.
Eu não posso viver nesta terra…
Mas esta terra vive em mim como veneno.
Deito-me sob a grama úmida…
Mas desta vez,
Sinto frio.
-Leh
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╔═══❖•ೋ° - °ೋ•❖═══╗
Sete,
Quatorze,
Vinte e um,
Vinte e oito.
E quando se dá conta, a semana já passou.
E você ficou afoito.
Inútil você resistir,
Ou mesmo suicidar-se.
Oh, garoto, vamos, não se mate.
Reserve-se todo para o amanhã que virá.
Se é que virá…
Caso outro suicídio você não resolva tentar.
Os dias passam, mas ninguém se dá conta.
E você passa os dias olhando para o espelho,
Onde você mesmo se confronta.
Você se lamenta por não ter dado certo aquilo que você tanto esperou.
Então você se desesperou, e chorou.
Pois aquele dia, novamente, já se passou.
O fim de semana chega.
-”Até que enfim!”
Ei, garçom, me traz outra dose de gim…
Para enchermos a cara de bebidas baratas,
E depois nos sentirmos vazios, como em todas as madrugadas.
A noite vem…
E trás lembranças dos amores que deram errado.
Estraçalhando corações dos homens que se sentiram abandonados.
Bares cheios de almas tão vazias…
Amanhã é segunda.
E depois da segunda
Garrafa,
Sobram nas praças,
Apenas histórias amarguradas
De uma noite fria.
-Leh
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