Espaço aos teus pés
Aos teus pés eu me desarmo. Deixo o nome, o peso, a voz. Ali não sou quem enfrenta o mundo, sou quem aceita o que vem de nós. Teus passos mandam em meu fôlego, teu chão me ensina a respirar. Quanto mais baixo eu me coloco, mais inteiro eu consigo amar. Minha força nasce da rendição, meu orgulho aprende a ajoelhar. Não é fraqueza — é precisão: saber onde quero estar. Teus pés não pisam, consagram. Não dominam — definem. E eu, submisso por escolha, encontro paz onde termino. Não desejo subir teu trono, me basta o espaço aos teus pés. Ali meu corpo se aquieta, ali minha alma diz “és”.
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