O Monstro que Aprendi a Ser
Ah, como machuca em meu peito. Maldito seja esse sentimento que dilacera minha essência, que distorce meu olhar, esvai minha ânsia e, pelo jeito mais traiçoeiro, me culpa enquanto me arrasta ao desespero. Ainda assim, encontro‑me aqui, em meio a esta chuva de incertezas, com este vento voraz trazendo lembranças que dão sentido ao fato de eu ter me perdido do caminho que um dia jurei seguir. Pelas provações incontáveis deste mundo, acabei caindo no abismo da escuridão, onde minha essência foi tomada e moldada num monstro sombrio e desdenhoso. Mesmo diante dos fatos que me trouxeram até aqui, penso — deveras penso — se meus atos precisavam alcançar tamanha maldade e dor para me levar ao lugar onde eu deveria estar. Mas, ao ressoar do tempo sobre meus sentimentos, senti‑me cada vez mais sozinho, perdido na vastidão de um caminho que dilacerava e destituía minha alma dia após dia. No fundo, eu sabia: desejava libertar‑me das amarras da infelicidade, mesmo quando a mente sussurrava destinos sombrios que eu não compreendia. Tramei contra mim, jurei mentiras ao meu próprio reflexo e segui sozinho, entre lástimas no olhar e aquele sentimento sinistro que me corroía. Hoje, humilhado e estilhaçado, ainda estou aqui mas, não mais quem era mas, aos resquisios lacrimas ao vento...
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