Th @Matteu
Poesia

Entre Crinas, Compassos e Abismos

Ah, quão belas são essas notas perdidas deste piano ao som da mais melancólica sinfonia de inverno, atiçando da forma mais profunda o sinuoso desespero de suas psiques ao colocar, de uma vez por todas, esses sentimentos marejados em música quanto poesia que toca — toca a alma destes cordeirinhos perdidos em suas rês existências breves, tão breves quanto o compasso deste violino marcado pelo fio do destino de cada alma sonhadora que se perdeu ao abismo das incertezas de suas mentes brilhantes. Sendo novamente colocados em tamanha pressão por esse tão perverso violinista que, mesmo sabendo decoradamente a história de cada crina presa nos parafusos desta tão definida haste, ainda assim toca este instrumento de forma plena, com um sorriso encantador ao olhar gracioso do pianista. Percebendo tamanha sinfonia desfigurada, percebo o quanto, sem perceber, perdi-me nesta hipócrita valsa da existência humana em decadência; e, no fundo de meu coração, sabia mais que qualquer ser que, aos poucos, me perdia — perdia cada troca de compasso, cada troca de olhares — que algo havia de errado, mas, sem coragem para brandir espadas à razão de seu entendimento e pôr um fim nesta dança, deixei-me perder a este destino. Desaparecendo, por fim, em lágrimas ao vento.

Comentários

Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.