Cidade Deus
A catedral é branca e tem beleza, Não uma brancura pálida, Mas de delicadeza Seus encantos postais não são escuros, Mas estão espalhados, E não tem muros Seus homens encorajam a resistência, Suas mulheres reproduzem sua descendência, Seus meninos trabalham por obediência Tem professor, Tem pedreiro, Tem produtor, Tem artilheiro, Tem curandeiro, E tem pastor, Tem médico, autor, Tem enfermeiro Tem dentista, Tem pecuarista, Tem o turista, E tem o justiceiro Lugar de berço, Morada e crescimento, Que se chega sem nada, E dela se sai como um instrumento. Terra adotiva de famílias, Chico Dumont e sua maravilhas, Produzem o fruto que consomem, Um lugar de calma e vida. De águas claras, cristalinas, De riquezas incompreendidas, De um broto florescem suas meninas, O estopim da alegria. Da quitanda fez suas padarias, Da igreja um templo antigo, Das praças colo e ombro amigo, Das piscinas um campo índigo Recebe o moço e o seu parca, O coronel e sua esposa, O artilheiro e universitária, E da serra vem dona raposa. Molha quem vem pra banhar, Molha quem vem se divertir, Se abre a quem veio nadar, E a quem voltou pra se despedir.
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