Depois de VocΓͺ
Eu ainda quero te ver. Quero te ver em cada beco, em cada viela, em cada sentimento que eu queira reviver. Eu ainda quero te sentir novamente β sentir o seu abraΓ§o, o seu corpo que me envolvia e me deixava quente. Quero renascer. Quero rever as mesmas borboletas que antes causavam dor no meu estΓ΄mago. Quero desatar os nΓ³s que se formavam na minha garganta sempre que eu ia dizer que gostava de vocΓͺ. Eu quero sentir tudo isso outra vez. Mas, ao mesmo tempo, nΓ£o quero sentir essa dor que chega trazendo angΓΊstia junto. NΓ£o quero essa facada no peito de novo. Eu quero sentir. Mas, se eu sentir, vai doer. E, se doer, talvez nΓ£o tenha um bom fim. Mesmo assim, eu quero. Quero falar o seu nome outra vez e perceber como ele soa na minha boca. Quero reencontrar a pessoa que eu tanto amei. Mas eu sei que nΓ£o vou encontrar. Porque eu nΓ£o conseguiria te encontrar nem em vocΓͺ mesma. VocΓͺ mudou. Eu mudei. E, ainda assim, parte de mim quer te ver. Parte de mim quer falar que eu sinto falta de vocΓͺ. Sinto falta do seu toque, dos seus cabelos encaracolados, de tudo o que hΓ‘ em vocΓͺ. E essa falta Γ© tΓ£o grande que eu beijo outras bocas, toco outros corpos, imaginando que um dia serΓ‘ o seu. Mas como beijar outra boca pensando que Γ© a sua, se eu nunca nem te beijei? Γ isso que me pergunto. Mas tambΓ©m nΓ£o quero pensar demais. Porque, se eu pensar, a dor volta a cortar. EntΓ£o eu espero que um dia vocΓͺ volte β nem que seja sΓ³ para dizer que sente a minha falta. Porque eu sinto a sua. E isso dΓ³i. Γs vezes eu queria que vocΓͺ dissesse que sua vida nΓ£o seguiu em frente. Mas, ao mesmo tempo, queria que vocΓͺ fosse a pessoa mais feliz do mundo e que tivesse encontrado a sua alma gΓͺmea. Eu queria que vocΓͺ sentisse minha ausΓͺncia. Que vocΓͺ sentisse tudo o que eu senti. Mas eu nΓ£o posso querer isso. Eu nΓ£o posso tentar te odiar. Porque, se eu tentar te odiar, vou acabar me odiando por tentar. Eu te odeio. Logo, eu me odeio. Se eu me odeio, eu te amo. Mas nΓ£o existe amar vocΓͺ sem me amar.
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