Me Devolva
Pare de entrar na minha mente. Entre nΓ³s, restou apenas o pΓ³, e mesmo assim, teu eco insiste em ficar. Por que me faz lembrar que o nosso βdepoisβ nunca veio? Sempre que tento seguir, ouΓ§o tua voz mansa, cruel: βTalvez em outra vida, nΓ©, meu bem...β NΓ£o, pare. Isso nΓ£o se diz a um poeta. JΓ‘ pensou quantas poesias nasceram de ti? Quantas madrugadas te escrevi em silΓͺncio, esperando um verso que te fizesse voltar? Tudo anda sem cor. O mundo parece mais quieto desde que foste, e atΓ© mesmo o vento parece sussurrar teu nome. Hoje, eu sΓ³ queria te contar o quΓ£o pesado foi meu dia, mas lembreiβ¦ a gente jΓ‘ nΓ£o se conhece mais. EntΓ£o me devolve. As palavras doces que te dei, as mΓΊsicas que para ti dediquei, os pedaΓ§os de mim que a ti deixei sem perceber. NΓ£o peΓ§o tudo, mas me devolve o coraΓ§Γ£o β o que ainda pulsa por engano quando penso em ti. Me devolve meus momentos a sΓ³s, porque atΓ© no silΓͺncio tu te esconde, insolente, entre meus pensamentos. Sinto falta de mim. Devolve meus sentimentos, aqueles que tu nunca soubeste decifrar. Devolve meu βpra sempreβ, me devolve tudo β tudo aquilo que foi incapaz de amar. E se nΓ£o fores capaz, entΓ£o guarda o que restar. Mas me deixa ir. Leva contigo o que sobrou do teu perfume, das promessas vazias, dos abraΓ§os que jΓ‘ nΓ£o lembram o calor. Porque agora, entre o que fomos e o que deixamos de ser, eu escolho o fim. NΓ£o pra te esquecer β mas pra lembrar de mim.
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