Maciele Noronha @MacieleNoronha

Sem título

É madrugada e, como as outras tento me refugiar nas palavras, sejam as minhas ou as de quem consegue com mestria falar sobre o que eu sinto sem ter sequer alguma vez me visto. De forma singela, as vezes agressiva, tento expulsar esse vazio tão preenchido, preenchido de tudo e de nada, de tudo que gostaria de fazer, que poderia ter feito, do nascer da esperança e a realidade da natural e cruel mortalidade. Dinda, gostaria de te ouvir nessas horas, você não era Deus mas santas palavras sei que ouviria, não por seus pecados serem nulos, mas por suas doces palavras me tirarem de tanta escuridão, quando pedia ao Senhor conforto ele me estendia a sua mão, Dinda! É apenas uma madrugada qualquer como todas as outras, saio da cama e tento não morrer entalada, tento não morrer com a notícia de que o sol sairá outra vez amanhã e poderei vê-lo. Queria poder voltar no tempo e ter a cama vazia, queria voltar no tempo e não ter insistido no que mais me consumia, queria voltar no tempo e jamais ter tido coragem, pela primeira vez, coragem. Amor, você é como o sol, ilumina o meu dia, mas, queima minha pele.

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