Insania ~ M. Ribeiro
Da perspectiva de um depravado — ou da perspectiva de um louco — o mundo se tornou pequeno. As pessoas se tornaram vagas; os conceitos, mortos: ou seria o contrário? O verso que condiz com meu poema e que abala as estruturas, não significa nada — sabemos disso. Para suportar nossa razão, nosso maior desprezo, misturamos nossas palavras e embolamos nossos sentimentos; nisso, viramos poetas: nossas verdades, afinal, tornaram-se enigmáticas? No fim, crescemos demais e por isso não vemos graça nesse mundo. Atrozes, egoístas, caluniados, sentimos uma imensa cólera percorrer nossos corpos. Para suportar a sanidade, o filósofo se tornou sábio. O bobo da corte, afim de lamentar a piada do rei, se tornou iconoclasta. Porque hoje nos tornamos loucos. Tanto para conservar a nossa vida, nossa morada, cansamos-nos de tanto decair em sanidade. Em plenitude, não nos tornamos vazios? Em plenitude, verdadeiramente, tornamo-nos vazios: no fim, somos homens gélidos. Há muito não sabemos em que momento chegará nosso ocaso. Na adoração da vida, em apreensão, no fim, no fundo, clamamos por ele — que venha. Este mundo se tornou pequeno.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.