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Lua

@Lua0332 · desde 2023

Não importa quantas vezes eu tente sonhar, a escuridão de um sem sonho sempre voltará ao seu portador 💤

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Conexão

Conexão. Uma palavra que todo mundo usa como se fosse simples. Pra mim, sempre foi um mistério. Desde pequeno, eu já sabia que nunca ia entender o que é conexão entre as pessoas. Porque, pra mim, aquilo sempre pareceu estranho. Eu olhava pros outros ali, trocando afeto, amizade, risada solta, e aquilo não entrava. Não fazia sentido nos meus olhos. Já do meu lado… bom, a única conexão que eu tenho desde que nasci é com a minha mãe. Ela está ali, firme. É a única que eu tive e ainda tenho em toda essa minha existência. Você pode estar pensando: "mas isso não conta como conexão?" E conta, sim. Eu sei que conta. Mas não é desse tipo que eu tô falando. O que eu quero dizer é a conexão com gente de fora. Pessoas que não têm nenhum sangue comigo. Essas que eu não consigo, de jeito nenhum. Eu queria entender por que isso não acontece comigo. Por que eu não consigo ter isso, mesmo depois de tentar de tudo. Tudo mesmo. Nem que fosse uma falsa sensação de conexão — só pra eu me sentir normal por um instante. Só pra eu poder olhar no espelho e acreditar que sou como os outros. Mas eu falhei. Falhei tanto que nem a amizade que eu tinha consegui segurar. Perdi até ele. Meu ex-amigo. Olhando pra trás, sei que errei com ele. Muito. Mas no final de tudo, pelo menos eu sei como era aquela sensação de ser normal. Mesmo que por pouco tempo. E por isso, sou grato. Obrigado por ter sido meu amigo. Eu não te dei o valor que você merecia, e nem consegui essa conexão com você. Mas mesmo assim, obrigado. @lua0332

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Adeus

Sei que você nunca vai ler isso, mas mesmo assim quero escrever. Porque são coisas que não tive coragem de dizer pessoalmente. Eu não consegui ser a amiga que você precisava. Nem aquela que eu queria ser para você. Também nunca senti aquela conexão que tanto busquei na nossa amizade — se bem que eu nem sei se o que a gente tinha era amizade de verdade ou se era só um passatempo, uma coisa que acabou virando costume e eu me acostumei com a sua presença. O fato é que não dei valor para o que tínhamos. E isso foi me afastando de você. E, pra ser sincera, eu agradeço que isso tenha acontecido. Porque você não merecia ficar comigo. Ficar com alguém que não te dá valor. Não estou escrevendo isso pra pedir seu perdão, e que muito menos você me entenda. Não quero que esta carta transmita isso. O que eu quero dizer é que eu errei com você. Falhei como amiga e como irmã. E isso não tem perdão. Não, não tem. O que me resta é esperar que, agora não estando mais juntos, você encontre alguém que realmente te dê o valor que você merece. De verdade. Alguém que você possa, enfim, chamar de amigo. Porque, no fim das contas, o triste de tudo isso é que você não merecia ter me encontrado, nem ter passado por tudo o que eu te fiz passar. Acho que no fim eu não passei de um ser que não consegue se conectar com as pessoas, tentando me passar por alguém normal, vivendo com essa máscara só pra saber como era a sensação de ser como os outros. E isso acabou te machucando no processo. Talvez eu realmente não passe de um monstro tentando ser humano. Adeus. Que você viva sua vida feliz, amigo. @lua0332

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Escravo

Estou cansado. Cansado de receber ordens disfarçadas de "conselhos", que todos à minha volta insistem em ditar, como se eu devesse agir ou pensar conforme a vontade alheia. Acaso pensam que não tenho capacidade para pensar por mim mesmo? Estou exausto de seguir sempre as sugestões dos outros, farto de ser um mero escravo, destituído do direito fundamental de fazer suas próprias escolhas. Não voltarei jamais a seguir opiniões alheias; não serei mais escravo de ninguém. Passei a vida até aqui tomando decisões com base no que outros desejavam, sem nunca conseguir escolher por minha própria vontade. Mas isso termina agora. Não seguirei mais os "conselhos" miseráveis de quem não se importa com meu bem-estar emocional. Não continuarei a obedecer a conselhos malditos, dados por aqueles que nunca sequer ponderaram sobre meus reais desejos, nem respeitaram minhas decisões sem lhes lançar dúvidas, como se eu fosse incapaz de um pensamento autônomo. Isso termina para sempre. Eu tomo minhas próprias decisões. Eu controlo meu destino, e sou eu quem seguirá em frente com meus sonhos. Não me importa realizá-los aos cem anos! Pode passar o tempo que for, mas prefiro concretizar meus anseios e colher minhas próprias conquistas a viver uma existência carregada de amargura e arrependimento por tudo que não pude fazer, por ter seguido infames "conselhos" que jamais pedi para receber. @lua0332

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Fobia Social ou Antissocial? O Peso da Minha Agonia

Uma das coisas que mais odeio em mim mesmo é essa maldita "fobia social ou antissocial". Coloquei entre aspas porque, na verdade, não sei definir o que sinto, mas essas palavras foram as únicas que chegaram perto de descrever minha relação com as pessoas e com públicos grandes – ou até mesmo aqueles grupos de trabalho na escola ou faculdade. Bom, isso não importa muito. O que quero dizer com tudo isso é que me odeio demais por sentir esse desespero, esse medo absurdo que enfrento todos os dias ao sair de casa. Vivo constantemente com o coração acelerado pelo simples fato de conversar com outras pessoas. Às vezes, sinto que posso entrar em crise de pânico a qualquer instante, e isso é tão desesperador: sentir que você precisa fazer qualquer coisa para que seu corpo pare com esse constante "alerta de perigo". Quase sempre, quando estou sozinho, começo a arranhar meus pulsos com as unhas ou a puxar meus cabelos, pois a dor que sinto me faz sair daquele mar profundo onde me afogo. Ela me permite ter um ar de respiro para meus pulmões que, antes, estavam cheios de água. Me odeio tanto por não ser normal como os outros. Às vezes, paro e penso: por que vejo outras pessoas com tanta facilidade para falar, tão bem e com tanta naturalidade, e comigo não é a mesma coisa? Sinto inveja dessa habilidade delas de se comunicarem tão bem sem sentir aquela agonia, aquela vontade de simplesmente se isolar no quarto, sem falar com ninguém. Minha bateria social esgota-se tão rapidamente, fazendo com que eu me sinta agoniado e irritado por ainda ter que me comunicar. Quero, desesperadamente, voltar para casa e me trancar no quarto, onde poderei entrar em meu pequeno mundinho particular. Ah, eu só queria ser normal. Por que não sou normal? Queria tanto ser assim, mas parece que não fui agraciado pelo destino. Me odeio tanto por ser assim. @lua0332

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O monstro que nos habita

Acho que todos nós temos os nossos próprios monstros, que enjaulamos em celas frias dentro de nossos corpos; corpos estes que há muito tempo já deixaram de ser nossos. Estou cansado de manter o meu preso. Sinto que a minha cela interna já está demasiado desgastada para contê-lo. Não sei quanto tempo mais essa fachada do que eu sou para os outros vai durar, sabe? Tudo ao meu redor me irrita. Não sei ao certo explicar, só sei que gostaria de ficar sozinho em uma sala escura, com os meus próprios pensamentos, sonhando algum dia me amar por completo. Sonhando não me olhar no espelho e sentir aquela vontade de me autodestruir, de apagar a minha existência insignificante. Às vezes, me pergunto o porquê de me odiar. Então, me lembro de que nem eu mesmo sei a resposta. Só sei que a cada dia que passa, esse monstro — que não passa de um simples reflexo meu, cheio de cicatrizes que nunca foram tratadas pelo tempo — alimenta-se dos meus sentimentos de revolta mais profundos, do meu ser complexo, esperando algum dia ser reconhecido por mim como o outro eu que nunca se cala. @lua0332

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O outro eu que nunca cala

— Achei que tinha te vencido... — Você sabe que eu nunca vou embora de verdade. — Eu queria tanto me libertar de você... — Mas nós dois sabemos que isso nunca vai acontecer. — Eu sinto você aqui, todo dia. Um peso que não some. — Porque você me alimenta. Cada pensamento ruim, cada memória que revira - você me dá força. — Eu deveria ter te enfrentado quando você ainda era pequeno... — Mas você me ignorou. E eu cresci. Agora, sou parte de quem você é. — Já consegui te calar antes. — Por um tempo. Mas silêncio não é cura. Você só me empurrou para o fundo, onde eu pude esperar. — Estou cansado dessa luta... — Porque você luta contra si mesmo. Eu não sou um invasor - eu sou você. A parte que dói, a parte que não consegue esquecer. — Então não há saída? — Há. Mas você precisa parar de me tratar como um inimigo. Até entender que eu sou só uma ferida que nunca foi tratada direito, eu sempre vou voltar. @lua0332

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Frágil

Jamais imaginei que diria isso, mas anseio tanto que estas férias acabem e eu possa voltar para a faculdade logo. Ao menos lá não fico tão doente como fico nesta casa. Ao menos lá me distraio dos meus pensamentos tão dolorosos que machucam o meu emocional já tão frágil @lua0332

Doce chuva

Ó doce chuva que molha o meu rosto, Leve embora esta minha tristeza com tua chuva gélida, que escorre sobre o meu corpo, molhando as roupas que trago. Cubra os meus olhos com tuas gotas, para que ninguém veja as lágrimas que derramam destes olhos cansados de ver um mundo tão caótico. Ó chuva! Só tu e teu doce frio, que sopra sobre meu corpo encharcado, me confortam neste momento. É por isso que amo os dias de chuva: só neles posso derramar minhas lágrimas em paz, enquanto te observo, doce chuva, em teu mais lindo esplendor, molhando as terras que há muito tempo precisavam de ti — assim como eu preciso. Ó doce chuva, obrigado por seres minha única companhia da qual não tenho medo de ser quem sou. @lua0332

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Gato preto

Era uma vez um pequeno filhote de gato preto. Ele vivia com sua família de gatos cinzentos, todos já adultos. No início, o gatinho preto vivia bem com sua pequena família – afinal, era apenas um filhote inocente. Mas o tempo foi passando, e o gato preto já não era tão pequeno. Cresceu e precisou sair pelo mundo para ter contato com outros gatos de diferentes cores e tamanhos. Pobre gatinho! Tão inocente, acreditou que o mundo lá fora seria incrível. Mal sabia ele que isso seria o fim de sua paz. O gato preto sofreu com as decepções que outros gatos lhe causaram. Excluíram-no e riram dele por ser diferente dos demais – afinal, sua pelagem única o tornava singular naquele mundo. Infelizmente, essa singularidade tornou-se seu próprio alvo. Excluído, o pobre gato preto acabou tendo que sobreviver sozinho, sem ninguém ao seu lado, nem mesmo os membros felinos de sua família. Conforme foi crescendo, o gato preto acabou criando dentro de si um pequeno "amigo". Este amigo sussurrava que ele não precisava conviver com outros gatos, que não deveria criar vínculos com seres que inevitavelmente o abandonariam. Assim, esse pequeno amigo alimentava o gato solitário com falácias sobre a inutilidade da companhia. Essas ideias transformaram o pobre gato num ser arisco, incapaz de permitir que alguém se aproximasse – nem mesmo aqueles que lhe queriam bem. Então o gato preto cresceu e tornou-se um jovem gato. O que ele não percebeu é que, ao escutar tanto seu primeiro "amiguinho", acabou criando um segundo. Este novo amigo era diferente: violento, agressivo, tanto fisicamente quanto verbalmente. Não parava de proferir palavras cruéis sobre o próprio jovem gato preto. Inicialmente, o gato tentou ignorar o segundo amigo, pois suas palavras o deixavam profundamente triste. Contudo, nos momentos de fúria, tornava-se violento – tão violento que chegava a brigar com sua própria família. Foi então que o jovem gato preto percebeu, aos poucos, que seus "pequenos amigos" eram, na verdade, monstros que ele criara dentro de si. E o

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Lágrimas na chuva

A chuva está tão forte hoje Ela cai sem parar dos céus pintados de cinza O frio percorre junto ao vento Que sopra em meu rosto Tentado secar as lágrimas que escorrem dos meus olhos cansados Mesmo estando eu em baixo da chuva Olhando para o céu vendo as gotas caírem sobre a minha face Sabe eu gosto desse clima Acho que porque é somente nele Que posso derramar as minhas lágrimas na chuva sem que ninguém o perceba @lua0332

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