Arejando a mente
Minha mente cheia com os assuntos da segunda, estoque, reposição, quantas pessoas vamos chamar para trabalhar no sábado... É complicado! Depois de duas horas enfiada na despensa discutindo com o fornecedor sobre prazo de entrega e listas, já estava esgota, havia passado todo o fim de semana organizando o casamento que aconteceu no sábado e a festa de debutante de sexta, precisava de um tempo. Caminhei até a sacada do salão, debrucei-me sobre o corrimão sentido arrepiar meu corpo com o frio que fez em SP essa manha. Via na avenida os carros passando tão apressados quanto eu, pessoas grudadas na tela do celular sem parar de digitar, percebo que aos homens honestos só restou trabalhar, trabalhar e trabalhar... O padeiro que sorri pra mim todos os dias, sorri por que precisa de mim como cliente, assim também o cara do bar, a moça do mercadinho, e a caixa no restaurante que frequento. Como eu sei disso? Por que tambem visto minha melhor roupa todas as manhas, chego pontualmente no salão e sorrio para cada cliente que aparece pedindo informação. Isso não tem nada haver comigo, minha vaidade se tornou parte do trabalho, meus gastos e até meu riso se tornaram parte de tudo isso, faço por que tenho que fazer. Nessa hora me deu vontade de gritar, dizer ao mundo: -Cara vamos acordar! Chega de só trabalhar, peguem seus filhos vamos passear! -Alô mãe? Não precisa vir hoje, vamos fechar, quero te levar pra almoçar em um belo lugar, então vá se arrumar e desligue o celular! Depois reclamam que a violência ta demais... Não vejo como seria diferente, se esquecemos de nós mesmos em função do que vivemos, se não existe mais prazer no que fazemos. A rotina enlouquece até o homem mais equilibrado. Isto é o que vejo no alto desse prédio enfeitado.
Flavia Malek
Simplesmente perfeito amiga, gostei das observações.
LolitaLopes
Obrigada