Meia noite
Já é meia noite.
E o que me resta?
O tempo passa, mas meu peito aperta.
Quero acordar linda.
Desejo sempre ser bela.
Será que hoje eu consigo fazer mais do que o meu próprio ser espera?
É meia noite.
Falta pouco para o sol raiar.
Mas eu não quero acordar.
Não quero continuar.
Ultimamente, isso não faz mais sentido.
Ultimamente não pego mais leve comigo.
Quero sentir meu corpo vivo.
Eu quero ter vontade.
Sentir os meus pés ao chão tocarem.
Ver o céu com as estrelas brilharem.
Quero ter um momento de pais e filhos.
E rir com meus amigos.
Por que nesses dias, eu estou me sentindo um peso.
Se afundando cada vez mais.
Mas não sei se eu quero nadar.
Não sei se quero para a superfície voltar.
Não quero mais sentir essa sensação de "Enoite".
Pois ainda é meia noite.
E mesmo ainda sentindo esse açoite.
Eu estou acordada essa noite.
Já são meia noite?
Meia noite.
—☆Bruxelles☆
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Eternidade
Nesse mundo há tanta maldade.
Parece que eu vivi uma Eternidade.
Quem dera se eu falasse.
E alguém escutasse.
O quanto eu temi, o quanto eu sofri.
Quero sumir.
Assim eu iria resistir.
Há toda essa dor e há toda essa infidelidade.
Quero viver à vontade.
E assim então, desaparecer pela eternidade.
Será que mudariam por mim?
Quero que se importem.
Pois esses dias, eu não soube o que fazer com a minha vida.
E nesses dias eu escutei palavras malditas.
Queria não sentir saudade.
Queria não sentir essa "insanidade".
Essa "insatisfação com o quê eu tenho".
E assim, eu tiraria essa dor do meu peito.
Mesmo sabendo que para isso eu não teria mais mortalidade.
Eu finalmente descansaria por toda eternidade.
Que eu vire a eternidade.
Que eu seja a eternidade.
Eternidade.
—☆Bruxelles☆
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Viva.
Hoje começou mais um dia.
E infelizmente eu estou viva.
De que adianta isso, meu corpo está vivo, mas eu em si não estou viva.
Estou cansada de pegar ônibus.
Estou cansada de ficar fora de casa.
Que vida é essa?
Me diga, você trabalha pra viver ou vive pra trabalhar?
Quero viver pra mim mesma.
Quero cantar, quero dançar.
Olha o tanto de poemas merdas quer eu escrevi.
O tanto de gente eu já vi e já convivi.
Mas é isso a vida, por isso eu estou viva.
Eu nunca desejei essa vida.
Nunca achei que viveria.
Queria sentir novamente a sensação de colo e não sentir essa fadiga.
Quero ser ouvida.
Quero ser linda!
Mas eu se eu fosse, essa não seria minha vida.
Por que estou viva?
Eu queria me sentir viva.
Se eu desaparecer alguém liga?
Pois esses dias, a minha vida vem desmoronando.
Como se eu tivesse ninguém mais me segurando.
Como se ninguém mais tivesse se importando.
Queria sentir a sensação dessa vida.
Será que ela é boa?
É quente ou fria?
Olha pra mim, eu tenho tudo que eu queria!
Mas não quero sair da minha cama.
Não quero sentir-me viva.
Nunca desejei essa sensação.
Mas desejo do coração.
Que eu quero voltar a me sentir.
A me sentir viva.
Viva.
—☆Bruxelles☆
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Doença
Por que criticam a minha "doença"?
Parece que querem que ela me vença.
O pior que ela machuca.
E o que mais machuca é que não é gripe, nem virose.
São palavras palavras que entram no meu corpo e doem.
Qual é seu problema?
Por que crítica a minha "doença"?
Sendo que você que a fez ser tão forte e tão densa.
Eu nunca zoei sua "doença".
Nunca me aproveitei por você tê-la.
Mas você fez ficar doente.
Você me fez carente.
Queria não estar doente.
Queria não ser carente.
Por que você vê isso como se fosse drama?
Você fala como se fosse por atenção.
Mesmo se fosse por "atenção".
Mesmo se fosse por "drama".
Você disse palavras cruéis isso deixou um trauma.
Você machuca os outros para ter fama.
Mas logo depois se arrepende e não fala para não perder essa "fama" tão desejada.
Você quer uma paz que para você é inalcançável pelo fato que você não a deixa chegar.
Você mesma não aceita relaxar.
E eu também quero a paz.
Eu também quero descansar.
Mas a "doença", a tristeza que tu enfiaste em meu cérebro.
Não me deixam me acalmar.
Eu posso passar por isso.
Por isso eu posso passar.
Mas não posso se essa doença continuar.
Se essa doença não me abandonar.
E se essa doença não me deixar.
Doença.
—☆Bruxelles☆
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Cansada
Mãe, estou cansada, posso dormir com você hoje?
Tento continuar, mas a vontade foge.
Mãe, o que há de errado comigo.
Será que eu sou assim por não seguir à Cristo?
Queria me entender.
Queria não me prender.
Mas eu vou mudar.
E então eu irei provar para a senhora.
Que eu ainda não estou morta.
Pai, estou cansada, poderia conversar comigo?
O senhor sabe que é meu abrigo.
Pai, eu queria ter um amigo.
Sei que o senhor está ocupado.
Mas queria ficar ao seu lado.
Me olho no espelho, estou cansada, será que eu consigo lidar sozinha?
Por muito tempo eu carreguei esse peso.
Por muito tempo, falei apenas comigo mesmo.
Será errado não querer seguir algo falso?
Não sei mais o que eu faço.
Ei, eu estou cansada, será que eu poderia receber um abraço?
Ultimamente, não quero muito espaço.
Não era para mim estar viva.
Mas estou sendo forte, olha cheguei até aqui sozinha!
Queria sentir-me orgulhosa de mim mesma.
Queria não me sentir igual uma lesma.
Tão lerda, tão inútil.
Às vezes é fútil.
Hoje, meu corpo está tomado por uma fadiga.
Semelhante à semana passada.
Acho que eu estou apenas cansada.
Eu estou cansada.
Cansada.
—☆Bruxelles☆
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Aparência
Eu sempre questiono minha própria Aparência.
Será que estou bonita, ou então feia?
Queria mudar todo meu corpo.
Igual ele mudava até os meus próprios ossos.
Se eu fosse mais magra para seus braços darem a volta em minha cintura.
Você ficaria?
Queria mudar minha estrutura.
Queria poder ser apenas sua.
Queria ter paciência.
Para aceitar minha própria Aparência.
Eu sempre questiono minha Aparência.
Meu nariz poderia ter nascido empinado, por que ele nasceu torto?
Quero ter um lindo corpo.
E então você ficaria.
Me chamaria de linda.
E não iria mandar eu mudar minha Aparência.
Será que eu sou assim tão feia?
Olha pra mim, eu sou uma poeta.
Isso é besteira comparada com a Aparência?
Olha os meus olhos, eles são pequenos ou são grandes?
Minha cor favorita, você conhece?
Em mim é apenas a beleza que aparece?
Você é podre, por que eu não consigo te esquecer.
Te deixar parece como se fosse uma ameaça à mim.
Queria aceitar a minha Aparência.
Queria que gostassem da minha Aparência.
Será que eu sou bonita ou feia?
Olhe a minha Aparência!
Aparência.
—☆Bruxelles☆
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Morta.
Faz quanto tempo que eu estou Morta?
Fizeram anos ou meses?
Estou apodrecendo com os vermes.
Eu escuto sons, mas não posso falar.
Queria ter cordas vocais para gritar.
Meus amigos estão chorando em minha volta.
Escuto eles gritarem meu nome.
Vejo pastores junto à eles.
Falando em queimar meu corpo em uma fogueira.
"Bruxa nesse século? Ah que besteira!"
Escuto o amor da minha vida.
Falando asneiras.
Me chamando me monstro.
Eu poderia não estar Morta.
Eu poderia não ser um corpo morto.
Como eu morri?
Como eu vim parar aqui?
Não há ninguém aqui.
Há uma paz e silêncio que eu não encontrei em vida.
Uma sensação de liberdade.
Uma visão distinta.
Aos poucos eu não escuto o meu amor.
Aos poucos não vejo meus amigos.
Aos poucos eu não escuto seus gritos.
Tudo está sumindo.
Não tem nenhum feixe de luz iluminando meu caminho.
Mas é um lugar com uma estética torta.
Estou me sentindo bem, mesmo estando Morta.
Eu até que gosto de está Morta.
Se a morte é assim, de que vale a vida.
Quero morrer logo.
Mesmo sabendo que é um caminho sem volta.
Viva eu já me sinto Morta.
Então eu prefiro morrer, e continuar Morta.
Não quero voltar à vida.
Quero viver Morta.
Quero estar Morta.
Morta.
—☆Bruxelles☆
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4 horas
Já são 4 horas da manhã.
Essa é a hora que eu acordo.
Mais um dia eu comecei.
As semanas são longas, eu sempre me cansei.
Quero voltar pra casa logo, já são quase seis.
Já são 4 horas da manhã.
Meu alarme tocou.
Não aguento mais isso!
Quem foi que me acordou?
Não foi a vontade de viver.
Não, não senhor.
Mas a obrigação diária, de estudar e trabalhar.
Até quando eu irei aguentar?
Essa rotina é pesada pra mim.
15 anos eu já fiz.
Mas minha vida já está por um triz.
Já são 4 horas da manhã?
Por favor, alguém me diz.
Por que estou cercada de atriz?
Me digam por favor, o que eu fiz?
Pra ter uma semana desalmada.
São apenas sete dias, e ela é tão puxada.
Já são 4, da manhã?
Me diga então, o que eu faço?
Não tenho caminho, nem espaço.
Quero um canto pra mim.
Quero descansar até o fim.
Sou tão jovem.
Mas como adulto cresci.
De que vale ser nova e não feliz.
Casa, dinheiro, comida e família.
Pra mim não vale um giz.
Quero ser criança de novo.
Recomeçar.
E aceitar.
Que a mudança não é algo tão tosco.
Já são 4 horas da manhã...
Eu não dormi direito.
Queria poder não ter nenhum defeito.
Quero fazer tudo do meu jeito.
Quero dormir mais.
Quero viver mais.
Sou adolescente ainda, quero o mundo explorar.
Mas agora.
São duas da manhã.
Meu alarme já vai tocar.
A semana irá de novo começar.
Será que esse ciclo vai acabar?
Não sei o dia de amanhã.
Mas sei que já irei acordar.
Já são 4 horas da manhã?
Não quero acordar amanhã.
São 4 horas da manhã.
4 horas.
—☆Bruxelles☆
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Canibal
Eu gostava de um canibal.
Ele era dócil afinal.
Ele me mimava e tals.
Mas as vezes me fazia mal.
Pegava pedaços do meu corpo.
Me fazia mal.
Muito mal.
Eu gostava de um Canibal.
Ele sempre me fez mal.
Uma vez ele quase me matou.
E com isso, um trauma em mim ficou.
Como eu me apaixonei num canibal?
Que todo dia, me mordia.
Todo dia me usava.
Como fui tão burra?
De deixar arrancar minha pele.
E eu quase apodrecer com os vermes.
Eu me apaixonei por um canibal.
Não! Um animal.
Um animal carnívoro!
Que não queria me ter mais vivo.
Eu odeio um Canibal.
Um canibal ou um animal?
Só sei que eu o odeio.
Mas odeio à mim mesma.
Que fui burra e indefesa.
Queria ter tido forças.
Para vencer este canibal.
Agora, ainda estou viva.
Mas de que vale?
Se os sentimentos que eu sinto.
Não afastam esses males.
Vou ser forte novamente.
Semelhante à Joana d'arc.
Me queimem na fogueira.
Não importa, de que vale?
O verdadeiro "Bruxo" é o canibal.
Que anda sempre com males.
Eu não gosto de canibais.
Eu odeio um canibal!
Canibal.
—☆Bruxelles☆
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Purgatório
Faz anos que estou no Purgatório.
Mas ninguém está comigo.
O diabo está sumido.
Meu amor não está mais vivo.
Não quero sair do Purgatório.
Aqui parece mais o dormitório.
Mas aqui tem uma paz que ninguém mais faz.
Purgatório.
É Deus que está nele.
O Diabo não foi derrotado.
Muito menos amado.
Aqui não tem sofrimento eterno.
Não tem Deus,nem Diabo.
Aqui é a terra onde eu piso.
Junto das pessoas que eu falo.
Não quero mais viver na terra.
Muito menos no Purgatório.
Será que eu escrevo um relatório?
Falando do bem e do mal.
O diabo não é vermelho.
Ele é apenas um ser mal.
Ele não é velho nem novo.
Apenas anormal.
Deus é a esperança.
Que existe em pessoas estranhas.
Que gostam da vida.
E que também são fanhas.
Não gosto de Deus.
Gosto do diabo.
Por que a diferença deles.
É que pelo diabo, eu fui amada.
Por eu ser mulher, terei de morrer?
Se eu não seguir a mão de Deus, irei também?
Se eu for gay, lésbica ou trans, vou para o inferno?
Pois então, anotem em um relatório.
Por que se for assim com Deus, eu prefiro ir para o purgatório.
Maldito purgatório.
Bem dito purgatório.
Purgatório.
—☆Bruxelles☆
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