Elza @Lioness
Serenidade

Manhã.

Poderia ser uma eterna distância. Existia em um espaço entre ela, vestida somente com aquele suéter azulado, empoleirada na cadeira de madeira; entre sua xícara fumegante de chá, transpirando o aroma etéreo de um bosque e a janela por onde assistia, tão plácida, aquela doce e tácita chuva de maio. Os dedos descansando na boca rosada e entreaberta. Seus olhos, tão singelos, pareciam um relógio, pareciam o tempo que tem de se apressar e de alguém algo roubar, mas tão impassíveis como o tempo, quem já viu o mundo passar. Neste cenário onde o conforto do lar se mescla com a indiferença poderia existir a distância de uma eterna lembrança. Uma mecha do cabelo castanho como madeira de pinheiro deslizou para perto de seus olhos. Respirou e expirou entre os lábios um sopro áspero e quente. Tão constante em sua mente a saudade se fazia uma paralela entre o que vivia tão nitidamente atrás das orbes verdes e o que a realidade insistia em lhe lembrar: que sempre estaria ausente. Aquela saudade que apagava o caminho por onde se chegar.

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