Café.
A ausência retorna, tão lentamente Que a gente sente seus pézinhos pelo assoalho de carvalho Ela se aproxima com cuidado para não te acordar se senta junto a mesa Se deleita de uma xícara de café. Ela te afaga o rosto, tão inerte, e te conforta com a partida preenchida pelo vazio. Ela te olha com os olhos adocicados, marejados pelo frio da manhã antes de partir. Na mesa da manhã, subitamente, você sente a sua presença apenas quando ela se vai. Apenas quando seu coração punge em meio a solidão que evapora junto com a fumegante xícara de café. E de repente está você. Pela manhã. Com os olhos lentos, lânguidos, serenos. E de repente está você. Percebendo a sua própria existência. Como um retrato de cores gentis. Como um tempo que nunca se passou.
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.