Se ela não viesse do sol
Se não trouxesse a luz da manhã
Se não tivesse o poder dos mares
E seus maiores leviatãs
Ainda que perdesse o calor
Perdesse o brilho e o alcance
Perdesse o poder sobre os mares
E perdesse todas as chances
Ainda estaria com ela
E ainda seria o seu fã
Ainda a admiraria
E a abraçaria a cada manhã
E ainda lhe daria um beijo
Ainda amaria o seu jeito
Ainda pediria sua mão
E guardaria qualquer segredo
Quando o momento é difícil
as lágrimas são fáceis
Mas sabemos que é preciso erguer a cabeça
Nesse novo lugar, uma nova vida surge
Agarre as oportunidades com toda firmeza
Sei que é guerreira, acredito muito nisso
Agradeço pela amizade e pelo seu carinho
É bonito ver o amor de uma mãe pelo seu filho
Não prive o mundo de contemplar o seu lindo sorriso
Te desejo alegria e muito sucesso
E que sua paz esteja sempre em progresso
Acredito que as melhores coisas são as mais humildes
E de coração eu te dedico este poema simples
Hoje completei trinta anos
Até hoje completei quantos planos?
Questões para se fazer
Não quero me cobrar demais mas não consigo esquecer
Parabenizações, reflexão
Muitas mensagens, muita solidão
Sei que sou sortudo
Mas ainda não alcancei a plenidão
Hoje já não tenho trinta anos
Hoje já não tenho tantos planos
Ontem eu sonhava o porvir
Hoje só relembro pelos cantos
Ontem me parece bem melhor
Amanhã me é assustador
Hoje eu já não estou bem certo
Vou seguir na fé e no amor
Matar o tempo é uma forma moderna de se matar
Empurrado sua história sem ao menos se importar
Deixando seu maior bem que é o seu tempo passar
Esquecendo que depois não vai ter chances voltar
Distrações sem medida como forma de alegria
Em um ciclo sem fim, quanto se satisfaria?
Entretenimentos que lhe causam sempre mais indiferença
Pouco caso com as escolhas e as suas consequências
O tempo vira memória e memória é seu cofre
O que tem guardado nele é valioso ou é pobre?
No final da sua vida a consciência cobrará
Por que não se preocupar com sua essência desde já?
Se a vida é um sopro
Que a minha alivie o calor de alguém
Se a vida é um sopro
Que a minha empurre um veleiro além
Se a vida é um sopro
Que a minha seja fôlego pra outros também
Se a vida é um sopro
Que a minha termine onde começa a de outrem
Um feixe de luz rasgou todo aquele quarto escuro
Que era meu casulo
que era o meu mundo
E me lembrou que havia mais, além
Além daquelas paredes
E daqueles muros verdes
Daquela rua de terra
e daquela vila velha
Daquela visão cinza e amarela
Uma fresta foi a minha janela
Enxerguei a poeira que me rodeava invisível
Eu fui tão insensível!
Não via mas sentia e nunca achei incrível
Nunca achei nocivo
Nunca achei
Nunca ao menos questionei
O que será que existe além do que eu vejo?
Se conheço tão pouco, qual é o tamanho do meu desejo?
Desejo um pouco menos que o pouco que conheço
E desejo como se fosse tanto, e passa o tempo e nem percebo
Mas agora percebo que não conheço o infinito
E nem vou conhecê-lo pela força ou pelo grito
Então me ponho a observar a luz mais atentamente
É difícil e demorado, eu estou abrindo a mente
Se um dia eu virasse nome de escola
e alunos nem soubessem quem fui
E se mesmo assim, um aluno apagado
gostasse do nome, e quisesse saber
Quem era o dono, o que fez e o porquê.
Mas se ele fosse, só um coitado, que nem soubesse perguntar pra saber
Só que de repente, com seus quase trinta aprendesse que perguntar é viver
E então descobrisse as minhas obras, e lesse chorando, e adorando as histórias
E se esse jovem então indagar-se: será que um dia serei nome escola?