Espelho d'água alma de barro
Aurora Lea Tarauacá, mistério do meu chão. Meu refúgio secreto, meu pequeno paraíso Onde o tempo sussurra que aqui é o meu lugar. Nessa cidade menina Habitam um povo de alma antiga, de espírito valente, Filhos das águas e das matas, Eles ouvem o silêncio da noite, Sentem no peito um nó que antecede o dilúvio Quando a natureza decide falar alto O céu se fecha, a água se impõe, E os rios se insinuam pelas veias de asfalto. O mundo vira espelho d’água, Carros se calam, barcos surgem como fantasma Salas de aula viram fortalezas, E o povo, cativo de uma batalha silenciosa, Luta contra a mãe natureza Sem saber se retorna ao que era lar. Lágrimas se misturam ao barro, Memórias boiam entre restos de mobília, E cada casa submersa guarda um segredo. O cenário é de um pós-guerra sem bombas.
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