Entre as garras deste amor,
Somos
Presa e caçador
Que dia é hoje?
Seremos caçador e presa
Diante deste dia,
Que ardente nos deixa.
Dançamos nossa dança mortal,
Inescapável,
Profunda de mais para se entender,
Para fazer sentido,
Uni-nos dentro de nós
Esta voz
Ancestral.
Inevitável.
Sussurre vários nomes,
Vários valores,
Sobre nós,
Sob nós,
Sobre amores,
Porém nome nenhum se achará
Para definir este inevitável e latente nó.
Assim seja!
Gritam as coisas,
Grita, do amor, a voz.
Assim seja.
Faça-se cumprir.
Esta dança mortal,
Esta garra,
Esta caça,
Esta presa e predador,
Este amor,
Inevitável.
Larissa S.
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Quando almas se tocam,
E o muito além do compreendido acontece,
Algo permanece, não mais perece
E é lindo
Quando sintonia é palavra de ordem,
Quando toca na alma um toque,
Algo transborda,
E é lindo
Quando e somente quando,
Palavras não são necessárias,
São opcionais,
E o sentimento fala mais do que mais,
Aí é lindo
E que permaneça,
Sempre permaneça,
Lindo.
Layra S.
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Se você gostar de mim,
Menos da metade do que gosto de você
Ainda te direi:
É muito!
Se você quiser construir memórias
Mais do que de dias,
De segundos,
De momentos
Aí te direi:
Tome meus anos.
Se você rasgar de amor
E ceder a chama da paixão
Tanto quanto eu cedo e rasgo
Eu, ardentemente, direi:
Eu te amo!
Mas se não pensas
Em algo além daqui
Deste aqui
Eu te direi:
Não mais te chamo.
Aqui eu parto,
Aqui eu termino.
Só até aqui
Eu amo.
Layra S.
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Tento lento, ao longe, te sentir mais um pouco
No meu peito o sentimento já amuado esfria
A neblina que se forma torna triste tua estadia
Já não há lugar
Já não há o teu estar
Não há
A tua presença
Já não paira sob minha cabeça
Não lembro mais do rosto
Do gosto
Da história
Da trajetória
Não há vitória
Não há
Não há mais lugar
Apaguei tudo com fria cólera
Pois não existe tanto fogo
Que acenda essa coisa tão morna
Não há boca a boca
Não há minha boca na tua boca
Que ressurja
Esses últimos suspiros
De um amor tão falho
Não há
Não há mais o meu estar
As lembranças
São pó
Sim,
Estou só
Mas já não há lugar
Para ti
Não em mim
Não mais
Não há.
Layra S.
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Me escreva
Duas notinhas decodificadas no jornal
Duas frases de diário oficial
Como um espião desses qualquer
Me escreva
Um rodapé de livro sagrado
Frases mal traduzidas de um dicionário morfado
Me escreva
Todos os impropérios que você aprendeu no 2° colegial
Todos os dias que eu disse "Te amo"
Todas as vezes que me entendeu mal
Me escreva
Me escreve
Pode discorrer sobre os defeitos sem fim
Sobre aquele famigerado presente chinfrim
Me escreve sob suas nuances
Tuas perspectivas
E não me esquece
De escrever
Me escreva
Qualquer coisa
Juro
Pode ser sobre aquele assunto que não podemos falar
Sobre os dias que nunca irão voltar
Mas
Me escreva
Qualquer coisa
Uma página rasgada
Um poema já escrito
Meu nome riscado
Me escreva
E me manda
Sem não
Sem drama
Só
Me escreva.
Daquele que escreve a ti,
Eu.
Layra S.
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Tire da SUA boca
Qualquer coisa
Sobre mim
Tire, tire AGORA!
Não lance impropérios
Que eu lanço pratos
Não lance inverdades
Que eu lanço fatos
E grito
Grito
GRITO!
Coloco pra fora
O que estava dentro
Daquilo que estava tão cheio
Que nem sequer transbordou
Explodiu
E eu grito
Grito
GRITO
Feito animal ferido
Feito fúria que sou.
Layra S.
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Essa dor não para
Nunca atenua
Não passa
Mas
Se acredito eu
Em vida após a morte
E em um depois disso
Irei somente
Tão somente
Como disse outro
Que não fui eu
Digo e sei
Digo e sinto
Nas entranhas
De minha carne
Que
Viverei
Irei morrer sim
Mas,
Só mais uma vez.
Layra S.
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Essa carta de amor hoje te escrevo
Na esperança de chegar a ti meu beijo
E da saudade sair porta a fora
Escrevo bem rápido
Faço esse trato
Com o meu bem querer a ti
Para que não desistas de mim
E que eu não desista de te escrever
E se te escrevo
Sei de ti um ouvido que ouve
Um lábio que toca
Uma boca que beija
Sei dos teus dedos trêmulos no papel
Na garganta e na língua o fel
E a voz suprimida pela minha
Escrevo sobre ti
Para ti
Na esperança que sejas meu presente
Meu hoje
Meu agora
Mesmo que agora ainda não sei do futuro
Pois ainda estou neste escuro
De saber se leu, se lês ou se lerás
Escrevo
Exumo nossos corpos
Cravo esses vocábulos tortos
Na ânsia, meu amor
De ainda
Ainda
Ainda
Ainda
Ainda
Te ter.
Com todo o amor do mundo,
Eu.
Layra S.
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Já que nunca te pedi nada
Então, hoje eu peço
Me ame.
Não em pedaços,
Mas por inteiro
E já que eu nunca te pedi nada
Nada que se faça
Eu peço que faça
Então
Algo
Pelo nosso amor
Pois já que eu nunca pude pedir nada
Você pôde me deixar calada
Sem pedir nada
Amarrada
A um não clamor
E é assim que acaba,
Esse meu pedido rastejado,
Desculpado,
Esfarrapado,
Porque eu nunca pedi nada
Nada e nem amor.
Layra S.
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Nunca pensou ela que
Depois de tanto tempo
Retomaria para si
As coisas da noite
Sem um porquê
Retomou seus caminhos noturnos
Seus boleros tristes
Seus vestidos sujos
Retomou
Retornou
Reviveu
Esta senhora da noite
Voltou-se de si
Deixando a ponta da saia encostar
Nos vãos da porta
Das várias portas
Presa para fora dos quartos
Exceto
Quando há ali brecha
Retornou
A si
A rainha da noite
Que dilata teu par de olhos
Mais do que qualquer substância de energia
Rodopia para ti
Linda e graciosa
Rainha do sono
Dos sonhos
Da noite
Toma tua noite
Quer tua atenção
Esta insônia.
Layra S.
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