Este talvez é o meu mais difícil escrito. Despedidas geralmente são complicadas para mim, esta será uma delas. Porém, preencher estas linhas se torna necessário e, sim, elas estão repletas de gratidão.
Me despeço deste app.
Agradeço por todos que acompanharam esta minha pequena jornada de letras e rimas. Obrigada pelos escritos de vocês, que me ensinaram muitas coisas.
Obrigada! Obrigada!
Serei eternamente grata!
Enfim,
Adeus!
Grata por tudo,
Larissa S.
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Abraça-me
Deixa eu me perder
Deixa eu me esquecer
Em você
Monta em volta de mim
A tua muralha de braços
Me puxa
Me guarda
Nesse abraço
E não solta,
Nunca mais.
Abraça-me
Com a necessidade
De sentir as minhas mãos
Nas tuas costas
Abraça-me
Diferente
Mais do que ontem
Melhor do que amanhã
Pois o hoje,
Sim,
Importa
Abraça-me
E descansa
O teu rosto
Com gosto
Em mim
Usa meu pescoço
Como consolo
Para ti
E abraça-me
Abraça-me
Meu querido,
Meu tão amado
Abraça-me
Bem de perto
Bem colado
E sela com um beijo
Bem demorado,
Este nosso afago,
Em abraço.
Larissa S.
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Você viu ali,
Ali no ar,
As partículas de magia,
Ancestral,
Brutal,
Magia,
Ali mesmo
No meio do ar
Vindo até nós
Para avisar?
Você ouviu?
O que o vento disse?
Quando você estava sentado,
Já cansado,
Dias antes,
No batente da porta?
Por que não ouviu!?
O aviso,
Que a brisa sopra?
Você não percebeu?
O silêncio dos bichos da floresta?
As formigas apressadas?
Os bichos se escondendo?
Não percebeu?
As avós preocupadas,
No semblante do teu avô,
O que estava acontecendo?
Então entenda,
Se faça o favor,
De ver,
Com temor,
O próximo presságio,
De tragédia.
De tempestade.
De horror.
Larissa S.
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Me mostre teus caninos
Arreganhe sua boca
Me mostre tua melhor careta
Me mostre tua cara assustadora,
E aí direi quem és.
Dê o tom certo
À violência das palavras que saem
Diretamente da ponta da tua língua,
Deixa dela sair o bote,
Deixa escorrer o veneno,
Pode até usar um tom sereno,
Por que aí direi quem tu és.
Me mostre as garras
Que tu afia nos ossos dos outros,
Me mostre a cara
A coroa
E o teu verdadeiro rosto.
E aí eu direi quem tu és.
Antes disso,
Não te conheço,
Nem sei quem você é.
Pois este teu sorriso polido,
Criado apenas para esconder
Os teus bestiais caninos,
Só me mostra
Que tu só mostras
Aquilo que quer.
Larissa S.
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Marcela foi levando o pacote,
Apressada,
Assustada,
Foi entrando em uma rua escura
Para que a noite lhe desse suporte.
Olhou para os lados,
Sentiu o calor do pacote nos braços,
E no primeiro lixo que viu,
Se livrou da nota,
39,90
Tinha custado a torta.
Marcela tinha tentado!
Tinha relutado!
Em não passar mais em frente a padaria,
Mas... aí!
Naquele dia,
A fome apertou,
A barriga doía!
Como é que Marcela ia resistir?
Em ter aquela torta tão bonita só para si?
Entrou na padaria e iniciou o ato.
Passou o cartão,
E levou o pecado embrulhado.
"Gula, gula, gula!"
Gritava seu cérebro
Em um último pedido desesperado.
"Não consuma, Marcela, não consuma!
Essa torta!
Esse ato!"
Então,
Viu ali na rua,
Deitado na esquina,
Um mendigo magro.
Olhando-a de lado,
Carregando o imenso embrulho pardo.
"E aí, Marcela!?"
A razão falou a ela
"É a hora do arrependimento bater!"
"Olha aí esse homem magro,
Faminto,
Largado,
Querendo algo para comer!"
E aí, vai querer mesmo consumar este ato!?"
"Vai querer mesmo quebrar sua dieta!?"
Assim,
Debochou dela,
A sua própria consciência.
Larissa S.
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Meu bem,
Estou cansado.
Minhas costas doem,
Me dói um abraço.
Meus ombros estão caídos,
Meus pés se ralam no asfalto.
Meu bem,
Estou cansado.
Não quero mais carregar este teu fardo.
O teu peso me massacra durante o dia,
E a noite,
Quando deito ao teu lado.
Meu bem,
Estou cansado.
Me deixe,
Então,
Descansar o meu cansaço
Um pouco aqui.
Me deixe respirar
Encostar aqui a cabeça,
Fechar os olhos e dormir.
Depois,
Eu prometo,
Eu vou partir.
Meu bem,
Estou tão cansado!
Do peso destas memórias todas,
Desta quase briga tola,
De sorrir,
E tentar não deixar a mente,
Tão fatigada!
Secretamente cair.
A alma,
Tão cansada!
Simplesmente
Ruir.
Meu bem,
Estou cansado.
Larissa S.
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O fundo do meu café de todas as manhãs
Me mostra o teu rosto
É o teu nome o primeiro lampejo de consciência que eu tenho
Quando acordo
Me permita esse pouco de exagero,
De simbolismos.
Se preciso transbordá-los,
É por conta de algo em mim,
Que ainda não sei definir,
Que se encontra cheio.
Sem ti,
Eu seria muitas coisas,
Menos eu mesma.
Contigo,
Eu seria muitas coisas,
Menos quem sou.
Você precisaria entender
O que é auto preservação
O que é auto estima
Para compreender,
Enfim,
O porquê
De eu precisar te esquecer
E eu nem sei se o que eu sinto por você
Tem um nome
Ou um modo de existência
Não dá para transformá-lo em uma conversa de café,
Por exemplo.
Acredito que não.
E esse é o problema,
Substancial e exponencial problema,
Dessa entidade,
Sobre a qual preciso parar de sentir medo,
Dessa vaidade,
Chamada
Nós dois.
Larissa S.
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A Rainha e o Cavaleiro se fitam,
Trocam olhares
Um comprimento,
E às suas batalhas,
Iniciam.
A nobreza acha um absurdo.
Esse latente verbalizar mudo.
Ele deve a Rainha respeito!
A Rainha não deve atenção,
A um mero cavaleiro!
Mas ainda assim,
Entre eles,
A justa ocorre.
A Rainha no topo de seu trono,
Usa as armas que tem:
Os segredos,
Algumas verdades,
Pouca persuasão.
O cavaleiro usa as armas que convém,
Usa a espada,
Marca o escudo,
Tira desde mundo
O que os detém:
Devolve à terra
O pó,
Em um morto no chão.
Persuasão
Carmim,
A dele.
Ele mais velho,
Ela mais sábia,
Oferecem amores sobrenaturais,
No jogo jogado na lábia.
E o Rei da Rainha,
Nem percebe,
Que seu protetor se tornou um pária,
Só tem olhos para a música
Que brota da sua cantora e particular ária.
A Rainha e o Cavaleiro,
Executam a sua dança,
Diante na corte pasma,
Executam o jogo silencioso,
Para acabarem na cama,
Para transformar o Cavaleiro,
Assim como ela,
Em Vossa Graça.
Larissa S.
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O gnomo queria amigos,
Por isso,
Saiu do lar
De seus pais gnomos,
Portando esse sonho consigo.
Levou também um par de meias desiguais,
Uma valise,
Um sobretudo comprido,
E duas blusas iguais.
O gnomo queria amigos,
Mas não sabia onde procurar.
Tentou no vale dos humanos,
Quem sabe amigos,
Achava lá.
Pobre gnominho!
Lá não achou amigos!
Nenhum humano dele queria gostar,
Todos fugiam dele,
E fugiam,
Com medo,
A correr
A gritar
O gnomo queria saber,
Por que os humanos tinham mania
De até amigos escolher!
Porém nenhum humano queria isso lhe responder.
Então sentou-se em um alpendre,
Colocando perto de si sua valise,
Indagando,
Cabisbaixo,
"Poxa, porque ter amigos não é fácil?"
Largou o sobretudo de lado,
E cobriu o rosto com as mãos.
"Não vou chorar não.
Não vou chorar não."
Tentou segurar a emoção com esta falsa certeza,
Mas viu uma sua
Pesada lágrima de tristeza,
Mesmo assim,
Chegar ao chão.
Larissa S.
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Eu vou te marcar,
Com coisas tão boas,
Que você me lembrará,
Sempre que voltar,
Risos e à toas.
E quando você chegar,
Vai me encontrar
Como eu deveria estar:
Despreocupada,
Com as janelas abertas,
Com a página do calendário mudada,
Sem medo de você me visitar.
E aí, olharei para você,
Como gosto de ser,
Totalmente transparente,
Aposentadas as armaduras,
O escudo,
E tudo que eu costumava usar.
Tranquilamente,
Perguntando à ti,
Sentado na mesa,
Como está o gosto do chá.
E quando vier novamente,
Vai ser bom a ti, fitar.
Porque eu te preencherei de coisas tão boas,
Que desgosto,
Você não mais me trará.
Larissa S.
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