L.F @LarissaFer
Amor

Único

No tempo onde o tempo jaz morto, e a ciência serve à razão coletiva, anseio ser singular, portador de um amor único, imune à vastidão de um universo que abraça todos os amores — também únicos. Se me diluir em consciência dispersa, serei voz — não só a minha. Te amarei em nome da comunicação, linguagem que conecta mundos, pra que te amemos — nós, Eu, todos nós te amarão, em uníssono, como porta-voz deste mundo. Ser completo em completudes dispersas, amar no tempo que dilacera, é insurgência contra o nada ou uma indeterminação axiomática: infinito universo, dividido pelo vazio. O medo é fissura no contínuo, abismo entre avanço e existência, onde o amor — arcaica chama indômita — resiste à dissolução da essência. E eu te pergunto, entre o passado que se dobra e não retorna, e o futuro que dobra o espaço em silêncio: o que é o amor, senão luz em viagem eterna, que carrega em si o peso do ontem e a promessa de hoje, uma vez mais, Iluminar o espaço escuro? Como a estrela... refletida nos olhos do universo amante, vestígio imortal de luz extinta, um relicário onde jaz a psiquê do ser e o nada.

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