O homem e a varanda
O azul provoca um choque bem mais raro do que a colisão entre corpos. Quão escuro tu me disseste que era o céu, mas era Deus, que acende uma lâmpada sobre o seu teto. Penso, ao ver-te suspenso entre os edifícios, que o ar te segura como um filho. Estás no colo da noite, enredado, e és para mim um astro em evidência, sob seu holofote de luzes da cidade. Tu repousas, anjo teatral, alado, erguido entre dois pontos que se encontram só para ti. Tivera eu o dom, te descreveria: um monstro divino, uma coisa quase estranha, que envolve toda a luz e me seduz para o abismo do olhar... sempre uma última vez.
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