Laércia Nascimento @Laercia
Vida

Os avós quando partem têm a nossa idade

A dor de perder os avós é imensurável! Certa vez, eu conversava com uma pessoa sobre perder alguém e essa pessoa, de forma grotesca, olhou para mim e falou: "Mas, com essa idade, estava na hora de morrer mesmo". Aquela frase foi como uma facada em minha alma, porque a pessoa anulava a dor que eu estava sentindo, sendo que, poucos dias antes, ela também tinha perdido alguém, só que mais jovem. Eu parei naquele momento e, do mais profundo de mim, não encontrei nenhum fio de coragem para dizer algo que a ferisse. Eu sabia que é impossível dimensionar a dor, seja ela qual for. Os avós, quando morrem, têm a nossa idade, pois a nossa convivência com eles dura o tanto de anos que temos. Se eles morrem com 50, 60, 80 ou 100 anos para outras pessoas, para nós, morrem com a nossa idade. O luto, apesar de suas fases, nunca será enfrentado igualmente por todos. É claro que a vida continua; uns sorriem com mais facilidade, outros choram com mais intensidade, mas não há, neste mundo, quem dimensione a dor de perder alguém que amamos. Quem dera se a presença física dos avós fosse eterna, assim como seus abraços, seus cuidados, suas defensivas. É estranho aprender a conviver com a falta, com a pouca coragem de fazer a mínima coisa, seja levantar da cama ou ter que trabalhar no dia seguinte após o sepultamento. Mas, apesar de tudo, não há privilégio maior do que amar e ter sido amada(o) por nossos avós! Eles serão sempre o elo que nos mantém de pé, sobretudo quando nossos pés vacilantes parecem não saber o caminho.

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