Laércia Nascimento @Laercia
Poesia

P Â N I C O

Quem dera eu pudesse descrever-te da forma que te sinto. Talvez, ao transmitir para mim mesma como tu atravessas o mais humano de mim, nos familiarizássemos e eu não sofresse tanto por te sentir. És tão covarde que me assolas na calada da noite, na madrugada silenciosa, até quando já estou dormindo, procurando um pouco de paz. Vens na sensação mais cruel, naquela que a gente não sabe, mas pensa ser a morte. Me perco de mim mesma e procuro socorro, mesmo sem saber onde encontrá-lo. Por minutos que parecem eternos, sinto meu corpo descontrolado, minha cabeça não decide se gela por completo ou pega fogo. Minha língua adormece, meu corpo estremece, meu coração acelera como se o peito não fosse mais o seu lugar. É como se a morte ficasse tão próxima, mas tão próxima, que eu não soubesse mais como mandá-la embora. Como és cruel, traiçoeiro! Por que não me visitas quando posso defender-me de ti? Tu me fazes esquecer todos os meus planos de vida, porque o sentimento de morte que vem contigo faz com que eu me sinta abraçada com a finitude. Quando chegas até mim, trazes junto a ti o sentimento de que a morte me abraça, mas eu me recuso, e me recuso de tal forma que corro quilômetros sem cansar para buscar um sopro de vida, mergulho em mim mesma em busca de uma faísca de luz que me faça sentir que a vida ainda pulsa. Benditas sejam as "gotinhas" que me salvam de ti quando eu fico sem forças; benditas sejam as conversas com o desconhecido que se preparou para escutar o que eu preciso escutar; bendito e, mais que tudo, seja Deus, que, apesar das noites escuras e dos dias sombrios, não me falta.

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