O pecado de sofrer
Este mundo?! Ah, o cruel mundo!! Pode as vezes nos magoar Pode as vezes nos machucar Como na mão de um açougueiro O amaciador de carne faz ao bife. E no vazio do copo o barman deitar meio-copo de melancolia, que certamente para o Sertanejo, sim, seria apreciado. Frouxas correm as mãos a calçar as meias Enquanto derretem as solas dos sapatos E não faz sentido andar por sobre as brasas O Redentor, talvez ele conseguisse. No sapatinho de fogo! "As coisas ruem, se desmoronam, soçobram e desabam" — diz em seu luto Bruce Wayne Farão dos meus ossos fossilizados os látegos de vossa varanda. E noutra guerra-fria alguns soldados comerão no crânio feito de cuia, a maldição do Oeste. Por que o desprezo pesou-me como pesa a pedra? Antes tendo fendido a terra, sua boca...sua boca me abocanhasse! Mas jamais me daria ao motivo do doido rapaz. Ao motivo da doida mulher. Presos que estão entre paredes enegrecidas de horror e ódio, riscam tempos intercalados no calabouço. E em todo o corte que a navalha talha deixa estar uma solidão, uma punição. Como se a poucos milímetros pudesse tirar a dor esvaindo da veia. Quero é curtir meu sofrimento. Aflição é a forma de prazer não apreciado, de quem o proveito tiram os sádicos. Atire-se primeiro o lobo negro ao meu pescoço, para então depois sentir sua saliva misturada ao sangue quente esguichar da aorta. "Vinde a mim vós que estais cansados e oprimidos" — mas mutilar outro corpo já foi comprovado que resolve menos; e portanto nada alivia.
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