Poema

Degrau por degrau.

Agarro-me ao corrimão, determinado Hesito de despejar-me ao fim abaixo  Descerei com a leveza de quem não vê O quão profundo isso pode chegar. Vejo mágoa escorrer do começo Uma que preciso experimentar; Estranho, esse cheiro exato e nostálgico Da madrugada anterior, chuva a cair  Não cessa nunca, após aquilo descobrir Oxigênio frio, invadindo minhas janelas O quão fraco isso soa agora após tudo Só me resta continuar a descer. Forte pressão no peito, me deixa sem ar; O coração como se estivessem a agarrar Acelera, até a cabeça já não suportar Não consigo aguentar, quero afundar; Continuar a descer mais, assim não dá! Escorrego no sangue quente, crítico. Derramado na cerâmica fria do degrau Derrubado na escuridão do falso final Sozinho, ninguém ouvirá o meu gritar A subida parece a desistir e evaporar A descida clama pelo meu nome É o único caminho a restar. Me afogo no profundo corte aberto; Mais cedo estava muito bem cicatrizado Agora reabertos com brutalidade  Maneira devastadora de lacerar Graças a terrível sabotagem de persistir.

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