Minha consciência
Minha consciência não grita, ela só observa. E isso, às vezes, é o que mais cansa. Porque não tem discussão, não tem argumento, não tem como fingir que não ouvi. Ela fica ali, vendo tudo acontecer, acompanhando minhas escolhas, meus recuos, minhas desculpas internas. Ela observa quando eu sigo no automático, vivendo no modo sobrevivência, resolvendo o que dá e empurrando o resto com a barriga. Observa quando eu digo que não me importo, mas me importo sim, só não quero lidar com isso agora. Quando eu escolho o silêncio achando que é maturidade, mas no fundo é só exaustão. Tem momentos em que eu tento me enganar. Digo pra mim mesma que tá tudo sob controle, que eu sei o que tô fazendo, que uma hora se ajeita. Minha consciência não desmente, mas também não concorda. Ela só anota mentalmente cada incoerência. Ela vê quando eu me diminuo pra caber em lugares apertados demais. Quando aceito menos do que mereço pra evitar o desconforto de exigir respeito. Quando fico onde já não me sinto pertencente, só por medo do vazio que sair deixaria. Às vezes eu queria que ela gritasse, que desse um aviso claro, um ultimato. Talvez fosse mais fácil agir se houvesse urgência. Mas ela confia no tempo, mesmo sabendo que eu demoro a aprender. No fundo, essa consciência silenciosa é o que me mantém honesta comigo mesma. Ela não precisa me cobrar. Então, sigo assim: errando, ajustando, fingindo que não vejo, até o dia em que finalmente paro, encaro e faço algo diferente. Não por pressão. Mas porque já ficou impossível continuar fingindo que eu não sabia. Juliana Farias
EviePoetisa
muito bom 😊