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Fragmentos da Juh

@Juliana_Farias · desde 2024

Entre sentimentos, vivo escrevendo o que as palavras não conseguem calar.

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Que saudade daqueles lábios.

Tem uma coisa que eu quase nunca digo pra ninguém: às vezes eu sinto saudade dele. E é estranho admitir isso depois de quase vinte anos. Uma vida inteira aconteceu desde então. Nós mudamos, seguimos caminhos diferentes. Hoje somos outras pessoas, com outras histórias, outras escolhas, outra vida. E eu gosto da minha vida de agora. E isso é o que torna essa saudade tão difícil de explicar. Porque eu não quero voltar. Não desejo desfazer tudo o que aconteceu depois dele. Mas existem lembranças que parecem não morar apenas na cabeça. Parece que o corpo também guarda. Eu ainda lembro da sensação. Lembro da proximidade, do toque, daquele frio na barriga quando ele chegava perto demais. Da sensação de fechar os olhos e, por alguns instantes, não existir mais nada ao redor. Talvez seja por isso que aqueles lábios tenham ficado tão marcados em mim. Não eram apenas bonitos. Eram os lábios que eu amava. Que eu beijei. Que mesmo depois de quase vinte anos, ainda consigo lembrar da sensação. E isso é tão íntimo que quase parece errado colocar em palavras. Ele era lindo. Cabelo loiro, rosto de anjo, aquele sorriso que parecia melhorar tudo. Eu olhava pra ele e pensava: “Meu Deus, eu tenho muita sorte. Deus realmente me ama.” Meu príncipe. Nossa história não deu certo. E entendo que algumas histórias simplesmente não foram feitas para durar. Mas tenho aquela certeza silenciosa de que, às vezes, ele também pensa em mim. Talvez guarde sensações que eu nunca vou saber. Talvez ele também sorria quando lembre de mim. Confesso que, às vezes, quando a memória resolve visitar, não lembro apenas daquele sorriso ou daquele rosto de anjo. Lembro de como era estar perto De como era ser tocada por ele. De como eu gostava de beijá-lo. E por alguns segundos quase vinte anos desaparecem. Fica aquele sorriso meio secreto no rosto e uma confissão que provavelmente ele nunca vai ouvir: Meu Deus… que saudade daqueles lábios. Juliana Farias

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Será que ganhei ou perdi? 🤣

Às vezes eu fico pensando que talvez eu esteja perdendo, mas e se, na verdade, eu estiver ganhando justamente por estar perdendo? Porque pode ser que, para ganhar alguma coisa melhor, eu precise perder alguma coisa primeiro. E aí talvez aquilo que hoje parece uma perda seja só o começo de alguma coisa que eu ainda não consigo enxergar. Talvez eu esteja olhando para o lado errado e chamando de derrota aquilo que, mais pra frente, vai fazer sentido como vitória. Porque nem sempre perder significa ficar sem alguma coisa. Às vezes, perder é justamente o jeito que a vida encontra de tirar de perto aquilo que estava ocupando espaço demais para o que realmente deveria chegar. E tem outra coisa que me faz pensar: talvez quem esteja parecendo ganhar agora seja justamente quem está perdendo. Porque ganhar nem sempre é ganhar de verdade. Às vezes, a pessoa ganha aquilo que queria, mas perde coisas que nem percebeu que estava colocando em jogo. Enquanto eu, que aparentemente perdi, talvez esteja apenas deixando de carregar algo que não era meu para carregar. Então eu não sei se perdi. Talvez eu só tenha perdido aquilo que eu achava que precisava ganhar. E talvez quem esteja comemorando uma vitória hoje esteja, sem perceber, comemorando uma perda que só vai entender depois. No fim, talvez perder seja uma forma estranha de ganhar. E ganhar talvez seja uma forma bonita de perder. Por isso, eu não quero mais ter tanta certeza sobre quem perdeu e quem ganhou. Porque a vida tem dessas: muda o significado das coisas depois que a gente entende o motivo delas terem acontecido. E talvez, só talvez, aquilo que hoje parece ser a minha maior perda seja exatamente a coisa que, amanhã, eu vou chamar de sorte. Juliana Farias

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Minha vida está tão corrida que eu esqueci que amo escrever

Eu acho engraçado como a gente vai mudando sem perceber. Minha vida ficou tão séria nos últimos tempos que eu simplesmente esqueci de uma coisa que sempre fez parte de mim: escrever. Eu gostava de sentar e colocar no papel tudo aquilo que estava passando na minha cabeça. Às vezes era um texto enorme, às vezes eram só algumas frases, mas eu gostava. Gostava de escrever exatamente como eu estava sentindo, sem precisar organizar, sem precisar fazer sentido para ninguém. Só que ultimamente eu tenho vivido no automático. É tanta coisa para resolver, tanta preocupação, tanta responsabilidade, tanta coisa acontecendo ao mesmo tempo que, quando eu percebo, já passou mais um dia e eu não fiz nada que fosse só por mim. E talvez seja isso que mais me incomoda. Porque eu continuo aqui. Continuo sentindo, pensando, observando tudo, tendo mil coisas na cabeça… só parei de colocar tudo isso para fora. Hoje me deu vontade de escrever de novo. Sem um motivo específico. Sem querer ensinar nada para ninguém. Sem precisar transformar tudo em uma grande reflexão. Só escrever. Escrever porque eu gosto. Porque às vezes eu preciso me ouvir e, curiosamente, é escrevendo que eu consigo fazer isso. Talvez eu tenha passado tanto tempo tentando dar conta de tudo que esqueci que também preciso dar conta de mim. Não sei se vou conseguir escrever todos os dias. Não sei se vou ter sempre alguma coisa bonita para dizer. Mas hoje eu lembrei de uma versão minha que estava meio esquecida. Aquela que gosta de escrever. E eu acho que senti saudade dela. Juliana Farias

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Correria

Outro dia me perguntaram como eu estava. E eu respondi automaticamente: "Estou na correria." Depois percebi que essa resposta tem sido a mesma há meses. Talvez há anos. Minha vida virou uma sequência interminável de compromissos. Eu saio de uma responsabilidade para outra sem sequer perceber os dias passando. Estou sempre ocupada, sempre resolvendo alguma coisa, sempre tentando dar conta de tudo. Mas ultimamente uma pergunta tem me incomodado. Em que momento eu vou viver? Porque trabalhar não é viver. Pagar contas não é viver. Resolver problemas não é viver. Tudo isso faz parte da vida, mas não pode ser a vida inteira. Sinto falta de ter tempo para simplesmente existir sem pressa. De sentar e ouvir meus próprios pensamentos. De cuidar de mim com a mesma dedicação que cuido de tantas outras coisas. Às vezes tenho a sensação de que estou apenas atravessando os dias. Cumprindo horários. Cumprindo obrigações. Cumprindo expectativas. Mas esquecendo de mim. E talvez seja por isso que o cansaço já não esteja apenas no corpo. Ele chegou na alma também. Juliana Farias

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Faz tempo que não escrevo

Ando vivendo dias tão corridos que às vezes sinto que estou apenas sobrevivendo entre uma obrigação e outra. Faculdade, trabalho, segundo trabalho, responsabilidades, metas, cobranças… uma mente que nunca desacelera. Eu queria dizer que estou cansada só fisicamente, mas a verdade é que o cansaço vem muito mais de dentro. Porque eu me cobro o tempo inteiro. Quero conquistar tanta coisa na vida que acabo esquecendo dos meus próprios limites. Eu quero estabilidade. Quero crescer. Quero vencer. Quero olhar pro futuro e sentir que todo esse esforço valeu a pena. Mas no meio dessa busca constante por mais, eu percebi uma coisa sobre mim: quando algo dói, eu transformo a dor em ocupação. Eu não paro pra sofrer. Não sei lidar com silêncio. Não consigo simplesmente sentir. Então eu trabalho mais. Penso mais. Invento novos projetos. Faço minha mente ficar cheia o suficiente pra não precisar ouvir o que meu coração está tentando dizer. Talvez isso explique porque faz tanto tempo que não escreva. A escrita sempre foi meu abrigo. O lugar onde eu conseguia colocar pra fora tudo aquilo que eu escondia do mundo. Mas ultimamente eu tenho fugido até disso. Talvez porque escrever me obrigaria a encarar sentimentos que eu tenho tentado esconder até de mim mesma. E sinceramente? Às vezes acho que estou cansada não só da rotina… mas de carregar tanta coisa sozinha Juliana Farias

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Humilhação

Tem humilhações que a gente enfrenta uma vez pra nunca mais aceitar. Essa foi a minha.A gente não esquece quando precisa de defesa e encontra indiferença. Não foi sobre o lugar e sim sobre postura.Existe uma linha entre ficar e proteger. Hoje ficou claro de que lado eu estava. Quem tem vergonha não envergonha quem está ao seu lado. E essa vergonha, eu não passo mais.

Minha consciência

Minha consciência não grita, ela só observa. E isso, às vezes, é o que mais cansa. Porque não tem discussão, não tem argumento, não tem como fingir que não ouvi. Ela fica ali, vendo tudo acontecer, acompanhando minhas escolhas, meus recuos, minhas desculpas internas. Ela observa quando eu sigo no automático, vivendo no modo sobrevivência, resolvendo o que dá e empurrando o resto com a barriga. Observa quando eu digo que não me importo, mas me importo sim, só não quero lidar com isso agora. Quando eu escolho o silêncio achando que é maturidade, mas no fundo é só exaustão. Tem momentos em que eu tento me enganar. Digo pra mim mesma que tá tudo sob controle, que eu sei o que tô fazendo, que uma hora se ajeita. Minha consciência não desmente, mas também não concorda. Ela só anota mentalmente cada incoerência. Ela vê quando eu me diminuo pra caber em lugares apertados demais. Quando aceito menos do que mereço pra evitar o desconforto de exigir respeito. Quando fico onde já não me sinto pertencente, só por medo do vazio que sair deixaria. Às vezes eu queria que ela gritasse, que desse um aviso claro, um ultimato. Talvez fosse mais fácil agir se houvesse urgência. Mas ela confia no tempo, mesmo sabendo que eu demoro a aprender. No fundo, essa consciência silenciosa é o que me mantém honesta comigo mesma. Ela não precisa me cobrar. Então, sigo assim: errando, ajustando, fingindo que não vejo, até o dia em que finalmente paro, encaro e faço algo diferente. Não por pressão. Mas porque já ficou impossível continuar fingindo que eu não sabia. Juliana Farias

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Nada muda

Nada muda, e eu também não. Estou presa em mim mesma, assistindo minha vida passar como uma fita antiga, sem que ninguém note, sem que eu tenha coragem de apertar “stop". Juliana Farias

Engrenagem

Tornei-me engrenagem. Não precisava ser vista, apenas funcionar. Cada volta arrancava um pouco de mim, mas parar nunca foi opção. Quando falhei, não perguntaram por quê. Só trocaram a peça e seguiram chamando isso de progresso. Juliana Farias

Insônia

A casa está em silêncio, mas dentro de mim tudo faz barulho. O mundo dorme, e eu fico acordada pensando em coisas que não vão se resolver agora (talvez nunca). Ideias que não viram planos, planos que não viram realidade, vontades que ficam só no campo do “e se”. Eu sei que muitas dessas coisas não dependem mais de mim. Sei que algumas nem valem tanta energia. Mesmo assim, elas vêm. Não pedem permissão. Apenas ocupam espaço. Fico aqui, encarando o teto, esperando que o sono vença a necessidade de resolver o mundo inteiro sozinha. Mas, no fundo, eu sei: não é hora de decidir nada. Não é hora de cobrar nada de mim. É só mais uma noite em que a mente se recusa a descansar. Juliana Farias

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