Silêncio
O silêncio continua a atormentar os meus dias. Não o externo, não o da mente – quem dera –, mas sim o meu próprio silêncio, o "real", o perceptível. Não que eu não queira falar – céus, como quero! –, mas como faria isso? O que diria? Não sei, não há o que dizer. Existe apenas o desejo, a necessidade humana de vivenciar, de amar e de sofrer. Já que sem isso, de que vale a minha existência? Eu nasci para mim? Por mim? Como poderia ser, se não há nada que eu possa desejar que não passe pela dependência da existência do outro? O meu silêncio, que me atormenta, acompanha a tempestade de pensamentos que inunda minha mente e que me faz acreditar que a minha existência não possui valor, propósito ou razão. Mas o outro, a existência do outro, me faz pensar que, talvez, a medida em que uma graciosa voz toma o lugar do incompreensível silêncio, a minha existência, aos poucos, tome uma forma, ganhe um sentido, um propósito.
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