Não! hoje não
Amanhã, farei amanhã
Pois ainda há tempo
"Ainda é cedo!" Diria o outro
Mas o tempo corre, caro amigo
O tempo escorre pelos dedos
Escapa e desembesta sem aviso
E quando vires, já é tarde
Quando tu notares
Se foram os dias
As semanas
Um, dois, três...
Ah, lá se foram embora
Longos quatro anos
Continuar lendo
O silêncio continua a atormentar os meus dias. Não o externo, não o da mente – quem dera –, mas sim o meu próprio silêncio, o "real", o perceptível. Não que eu não queira falar – céus, como quero! –, mas como faria isso? O que diria? Não sei, não há o que dizer. Existe apenas o desejo, a necessidade humana de vivenciar, de amar e de sofrer. Já que sem isso, de que vale a minha existência? Eu nasci para mim? Por mim? Como poderia ser, se não há nada que eu possa desejar que não passe pela dependência da existência do outro? O meu silêncio, que me atormenta, acompanha a tempestade de pensamentos que inunda minha mente e que me faz acreditar que a minha existência não possui valor, propósito ou razão. Mas o outro, a existência do outro, me faz pensar que, talvez, a medida em que uma graciosa voz toma o lugar do incompreensível silêncio, a minha existência, aos poucos, tome uma forma, ganhe um sentido, um propósito.
Continuar lendo
Sóbrio, sozinho
Calado, contigo
Vazio, amor
Perdido
Inquieto, amante
Secreto, distante
Discreto, instante
Completo, bastante
Maldito amor
Ausente
De quem é
Presente
Maldita covardia
De quem ama
Continuar lendo
Quando criança
Eu me sentia bem melhor
Do que me sinto hoje
Não por a vida ser mais fácil
Sem responsabilidades
Mas porque eu sentia
Sentia o que queria sentir
E o que não queria também
Sorria quando queria sorrir
Gritava quando queria gritar
E chorava quando queria chorar
Sem me importar se aquilo
Me tornava mais fraco do que eu era
Mais fraco do que eu sou
Continuar lendo
E cada vez que o mundo
lhe cobrir de ódio
te banharei com meu amor.
Pois, cada gesto seu
transmite uma dor.
Eu sei que você
Acordou essa noite
Sonhando, pensando
Ou até delirando
Esperando por algo ou alguém
Qualquer coisa que tirasse
O imenso vazio
Da fria noite
Que guarda nossos temores
E já que o medo e o amor
São ferramentas do homem
Que esvazia e preenche
A si mesmo
A sua imagem é o reflexo
Do medo e do ego
Já que não poderia ser
Outra coisa
Que não aquilo que se tem
E que o mantém.
Continuar lendo
Não, não
Não, por favor
Nem comece
Não queira ser meu amigo
Não queira que eu seja seu confidente
Eu não tenho a menor vocação
Não levo jeito pra coisa
Não atendo os requisitos necessários
Nem possuo grandes qualidades
Não maiores que meus defeitos
Ah, quantos defeitos
Sou chato por natureza
Infeliz por incompetência
Sozinho por covardia
E como se não bastasse
A minha memória é ruim;
Esqueço datas, acontecimentos
E o pior: esqueço pessoas.
Continuar lendo
E eu
Praguejava ao infinito
Enquanto tu
Jurava eterno amor
E quando tu
Saiu por aquela porta
Um pouco meu
Partiu com tua dor
Continuar lendo
Tem dias que eu acho
Que em cada canto que passo
Que a cada canto que faço
E a cada verso que traço
Sou só mais um palhaço
Perdido no espaço
Rimando por nada.
E ela chegou assim
Depois da hora marcada
E logo sentou
De cara pintada
Tão perto de mim
Ela me amou
E depois partiu