Joelson @JoelsonDomingos
Efêmero

O Santo e o Rei

O santo perdeu para a natureza, O barro moldado foi desfeito em pó. A força que ergueu montanhas, Agora jaz fraca, exposta, sem nó. O justo perdeu para a injustiça, Em um silêncio que devora o clamor. Os ecos de suas virtudes quebradas São engolidos por um mundo sem cor. O forte curvou-se à fraqueza, Seu grito abafado pela sombra da dor. E a justiça, nua, sem força ou espada, Sucumbiu, rendida, ao opressor. "A justiça sem força é incompetente, E a força sem justiça é tirania," Mas aqui, não há balança ou medida: Só a queda contínua, a melancolia. Qual a qualidade de um bom rei? Seria a sabedoria que já se perdeu? Mas o trono é o altar do vazio, E a coroa, o peso de um Deus que morreu. Como se mantém santo num mundo pecaminoso? A resposta não vem, só o eco voraz. Pois o santo, ao fim, é pó entre os ossos, E o mundo segue, imenso, imoral, incapaz.

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