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Joelson

@JoelsonDomingos · desde 2025

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15 poemas 7 seguidores 7 seguindo

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Efêmero

Ruptura

Há algo de bom e ruim no inferno. Você é refém do clero, um tolo qualquer, mero, tão cruel quanto o fogo de Nero. Bom é que, sendo humano, é imaginação — usa o medo como reflexão. Ruim é que, quando o homem imagina, normalmente, ele cria. Há algo de bom e ruim no paraíso: um lugar que aprisiona o juízo, torna o possível, impossível, e mostra que Deus não é factível. Bom porque é uma criação possível, só falta alguém disponível. Ruim, porque só Deus pode criar — e ele não existe, ou acabou de nos abandonar. (Poema inspirado no primeiro episódio de Ruptura)

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Efêmero

Alegria

Só em raros momentos de distração, quando se deixa livre a imaginação, quando o ócio toma a direção, a alegria vem — é uma revelação. Das sombras, surge a iluminação: o mais sério, um brincalhão, rindo da própria humilhação, faz do riso um turbilhão. Mesmo na opressão, lutando por revolução, de classe em classe — iluminação, a alegria unindo a comunhão.

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Efêmero

Absenteísmo

Desculpa toda essa ausência, Precisei da minha essência, Mergulhei na consciência, Pra me achar na própria crença. Entendendo a mim, Te vejo enfim, Buscando completude, Sem temer o fim. Me senti tão longe do meu eu, Afogado nessa pressa, E a sensação que me deu, Foi de estar só nessa festa.

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Homeopatia

O universo é um simulador de sofrimento, criado por nós, que mantém a esperança viva através de gotas de alegria disfarçada de felicidade.

Efêmero

Miserável

Chuveiro no remendo, O dente tá doendo, E nenhum dinheiro pra gastar. Muito trabalho, pouco tempo, No metrô, outro tormento, Ninguém pra lamentar. Lutando contra o tempo, Preocupação a todo momento, Não consigo nem gozar. Foder você, Te dar prazer, E eu no mesmo lugar. No jantar, osso roendo, Algoritmo me fodendo, Me fazendo sonhar. Sonhar, prosperar, Começo a me culpar Por não estar no melhor lugar. Quanto mais estudo, Quanto mais entulho, Mais me sinto pior. Dar aula perdeu o sentido, O poder, sempre mentindo, Me faz cada vez menor. Pobre não tem um dia de paz — Quando vê, acaba o gás.

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Efêmero

O Santo e o Rei

O santo perdeu para a natureza, O barro moldado foi desfeito em pó. A força que ergueu montanhas, Agora jaz fraca, exposta, sem nó. O justo perdeu para a injustiça, Em um silêncio que devora o clamor. Os ecos de suas virtudes quebradas São engolidos por um mundo sem cor. O forte curvou-se à fraqueza, Seu grito abafado pela sombra da dor. E a justiça, nua, sem força ou espada, Sucumbiu, rendida, ao opressor. "A justiça sem força é incompetente, E a força sem justiça é tirania," Mas aqui, não há balança ou medida: Só a queda contínua, a melancolia. Qual a qualidade de um bom rei? Seria a sabedoria que já se perdeu? Mas o trono é o altar do vazio, E a coroa, o peso de um Deus que morreu. Como se mantém santo num mundo pecaminoso? A resposta não vem, só o eco voraz. Pois o santo, ao fim, é pó entre os ossos, E o mundo segue, imenso, imoral, incapaz.

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Efêmero

Mãe

Lua que me ergue, Uma força alegre. Cria um criador, Incentivando um motivado escultor, A alegria de um escritor.

Efêmero

Caos

Turbilhão de feridas auto-infligidas, Como se eu perdesse o controle da mente. O caos se torna dono dos devaneios, Deixando marcas invisíveis, um empesteio. “Pai, é difícil cuidar de nossas vidas, né?” Meu filho de cinco anos me diz. Pede desculpas, achando-se difícil… Mas eu o amo — eu o fiz. “E se uma galinha colocasse um ovo dourado, Você ficaria rico?” Uma criança sonhando no meio do fardo. Hoje o dia está difícil, E ainda é domingo.

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Efêmero

Rio

Os rios que teus olhos traçam Abrem caminhos para eu seguir; Quero aliviar tuas dores E te amparar se fores cair. Ao teu lado, eu crio asas, E em meu colo vais adormecer; Descansa, serena, tua alma, Enquanto juntos vamos viver. Desejo-te sonhos tranquilos, E uma vida plena e feliz; Que em cada gesto e sorriso O mundo inteiro se refaça em florir.

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