Há algo de bom e ruim no inferno.
Você é refém do clero,
um tolo qualquer, mero,
tão cruel quanto o fogo de Nero.
Bom é que, sendo humano, é imaginação —
usa o medo como reflexão.
Ruim é que, quando o homem imagina,
normalmente, ele cria.
Há algo de bom e ruim no paraíso:
um lugar que aprisiona o juízo,
torna o possível, impossível,
e mostra que Deus não é factível.
Bom porque é uma criação possível,
só falta alguém disponível.
Ruim, porque só Deus pode criar —
e ele não existe, ou acabou de nos abandonar.
(Poema inspirado no primeiro episódio de Ruptura)
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Só em raros momentos de distração,
quando se deixa livre a imaginação,
quando o ócio toma a direção,
a alegria vem — é uma revelação.
Das sombras, surge a iluminação:
o mais sério, um brincalhão,
rindo da própria humilhação,
faz do riso um turbilhão.
Mesmo na opressão,
lutando por revolução,
de classe em classe — iluminação,
a alegria unindo a comunhão.
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Desculpa toda essa ausência,
Precisei da minha essência,
Mergulhei na consciência,
Pra me achar na própria crença.
Entendendo a mim,
Te vejo enfim,
Buscando completude,
Sem temer o fim.
Me senti tão longe do meu eu,
Afogado nessa pressa,
E a sensação que me deu,
Foi de estar só nessa festa.
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O universo é um simulador de sofrimento, criado por nós, que mantém a esperança viva através de gotas de alegria disfarçada de felicidade.
Chuveiro no remendo,
O dente tá doendo,
E nenhum dinheiro pra gastar.
Muito trabalho, pouco tempo,
No metrô, outro tormento,
Ninguém pra lamentar.
Lutando contra o tempo,
Preocupação a todo momento,
Não consigo nem gozar.
Foder você,
Te dar prazer,
E eu no mesmo lugar.
No jantar, osso roendo,
Algoritmo me fodendo,
Me fazendo sonhar.
Sonhar, prosperar,
Começo a me culpar
Por não estar no melhor lugar.
Quanto mais estudo,
Quanto mais entulho,
Mais me sinto pior.
Dar aula perdeu o sentido,
O poder, sempre mentindo,
Me faz cada vez menor.
Pobre não tem um dia de paz —
Quando vê, acaba o gás.
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O santo perdeu para a natureza,
O barro moldado foi desfeito em pó.
A força que ergueu montanhas,
Agora jaz fraca, exposta, sem nó.
O justo perdeu para a injustiça,
Em um silêncio que devora o clamor.
Os ecos de suas virtudes quebradas
São engolidos por um mundo sem cor.
O forte curvou-se à fraqueza,
Seu grito abafado pela sombra da dor.
E a justiça, nua, sem força ou espada,
Sucumbiu, rendida, ao opressor.
"A justiça sem força é incompetente,
E a força sem justiça é tirania,"
Mas aqui, não há balança ou medida:
Só a queda contínua, a melancolia.
Qual a qualidade de um bom rei?
Seria a sabedoria que já se perdeu?
Mas o trono é o altar do vazio,
E a coroa, o peso de um Deus que morreu.
Como se mantém santo num mundo pecaminoso?
A resposta não vem, só o eco voraz.
Pois o santo, ao fim, é pó entre os ossos,
E o mundo segue, imenso, imoral, incapaz.
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Lua que me ergue,
Uma força alegre.
Cria um criador,
Incentivando um motivado escultor,
A alegria de um escritor.
Turbilhão de feridas auto-infligidas,
Como se eu perdesse o controle da mente.
O caos se torna dono dos devaneios,
Deixando marcas invisíveis, um empesteio.
“Pai, é difícil cuidar de nossas vidas, né?”
Meu filho de cinco anos me diz.
Pede desculpas, achando-se difícil…
Mas eu o amo — eu o fiz.
“E se uma galinha colocasse um ovo dourado,
Você ficaria rico?”
Uma criança sonhando no meio do fardo.
Hoje o dia está difícil,
E ainda é domingo.
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Os rios que teus olhos traçam
Abrem caminhos para eu seguir;
Quero aliviar tuas dores
E te amparar se fores cair.
Ao teu lado, eu crio asas,
E em meu colo vais adormecer;
Descansa, serena, tua alma,
Enquanto juntos vamos viver.
Desejo-te sonhos tranquilos,
E uma vida plena e feliz;
Que em cada gesto e sorriso
O mundo inteiro se refaça em florir.
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