Donzela de Ferro
Soprou do norte um assombro, vento forte devastador, das profundezas da insanidade emerge insaciável com suas dobradiças e cravos de ferro. Pobre vassalo, que se recusou a revelar o que não sabia, se viu obrigado a confessar o que não cometeu. Para sentenciar a prostituta que se infiltrou no mosteiro, tortura e morte, hipocrisia e intolerância como punição exemplar a fim de impressionar aqueles cujas almas já estavam escravizadas pelo medo. E o conspirador que fôra supostamente apanhado no seu delito? O pavor em seus olhos, o clamor e os gemidos, as perfurações e o sangue… Era como uma obra de arte macabra, para deleite do carnífice. Legislação farsante granjeando vítimas na idade das trevas, danos irreparáveis na construção de uma história onde balança enganosa decidia a sorte de um povo. Um dia alguém se levantará para o acerto de contas, e a dama sanguinária se desfará enferrujada sob o lamento dos seus inventores. ______________ 2018 art 184 Jorge Fernandes ERA MEDIEVAL https://my.w.tt/YM1di2UZbU
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