Talvez, eu, devesse
Talvez eu devesse Ser um pouco mais normal Aparecer menos na horizontal Tentar a sorte como um pardal Talvez eu devesse Numa noite escura Ser menos cascadura Sentir a brisa na minha nuca Desejar a vidar como ela é Mas mesmo se eu quisesse Há uma diferença entre querer e dever O querer é algo tão belo Eu quero, eu prospero, eu impero O dever é algo tão áspero Eu peço, eu devo, eu peco Talvez, eu, devesse Conspirar a favor da minha própria liberdade Que a luz do sol guiasse minha paisagem Sem medo ou receio da traíragem Porque tudo nessa vida de deve Se deve respeito, se deve responsabilidade e o momento Eu devo A vida, o tempo, a insignificância do meu ser O levantar, o caminhar, o refletir E mesmo assim eu não paro de pensar Que o Talvez irá encontrar o Chorar Que o Chorar encontrará o Elucidar E assim Eu, Devo, Talvez, Parar de tanto me autocriticar Porque já não sei mais onde irei parar
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