Outrem
Eu queria tanto poder escrever mais vezes A saudade as vezes consegue ser mais cruel as treze Ultimamente não é o desânimo que me assola Porque agora só isso me transborda É de tamanha idiotice pensar tanto em nós Quando nossos brilhantes lençóis Sequer transpuseram nossos anzóis E nossas mentes jamais estiveram juntas No mesmo travesseiro A frímola víscera tempestuosa Faz me derrubar a angustiante lágrima Lágrima agridoce sem sal, sem gosto, sem cal Dias e dias de ciclos Dias e dias de círculos E mais uma lágrima seca me cai Tal sei ao certo, tal mal faço a mínima noção Esse pão doce que me alimentou até aqui Em teus braços só me fazem 'chorrir' Pois é como se um ciclo se encerrasse E tal qual me acabasse virando do avesso da pele Choro pela saudade de noites acordadas Pelos sencilhos caídos Pelos vasos dilatados Pelos pensamentos periódicos e diários Sorrio pelo vossa aura azul celeste neural O vermelho dos teus lábios tão colossal Tudo em você é tão colorau E eu sem sal Cada detalhe do seu interior tão nada exposto mas tão implícito Esse seu jeito tão sútil de me arrancar belos sorrisos Tudo tão sadio Tudo tão tardio A naturalidade de uma travessa transbordada Cheia de ambos os lados E todas as atitudes tomadas Sendo devidamente julgadas Cada gesto de amor Cada ato de solidão Cada forma de dor É tão difícil compreender Como pode a vida saber Que uma hora você tem poder Uma vida pra viver E outra hora você sabe que é pra perder Pra perder pra valer Todo sentimento aqui sacramentado Vai mexendo e tecendo Cada estranho movimento De uma nova perspectiva De uma nova tentativa E a forma de vida que se cultiva Se dissipa e vira algo novo Assim como as gotículas de calor Que se condessam E viram gotículas de chuva Talvez essa chuva não sinalizada Seja um sinal para aprender seguir em frente Sem temer acidentes Mas como posso seguir para o futuro Se tudo o que me faria feliz neste momento Está sacramentado em outro universo Dizendo 'aceito' para outrem
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