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Jate

@Jate · desde 2019

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Deixa queimar

Eu quero encontrar calor No mar, no rio Calor até no frio Calor na cor Seja ela azul ou roxa Ou o calor da sua coxa Quero sentir o ferver da boca Da minha língua Queimando em seu umbigo Sentir o suor do seu rosto Sentir seu calor e seu gosto Porque faz frio se você não está É gelo pra toda vida Seja aqui, seja lá Basta você sair ou se virar Qualquer fogueira vai se apagar Então chega perto Traz sua brasa prá cá Porque se o fogo é certo Deixa o fogo queimar!

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Sonhos

Sonhos são apenas sonhos? O que vocês acham? Talvez, um chamado? Sonhos sempre se encaixam? Sonhos são tudo isso Por isso me permito pensar Sonho é isso, é aquilo, é enguiço Sonho é o que você sonhar Sonho pode ser um poema Um sorteio improvável Pode ser um objetivo Um desejo projetável Mas o que eu sei E acho que vocês também É que o sonho é uma arma Mas que serve para fazer o bem Então, meus amigos Permitam-se sonhar Abram bem as suas asas E se ponham a voar E quando pousarem Desse voo que proponho Não se esqueçam de que voaram Para alcançar o sonho!

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Prisma voraz

Escrevi este poema ao ver uma linda mulher sentada de frente para o mar, contemplando a imensidão azul Que mistérios pairam sobre o seu olhar? Que saudades, que mais entre o céu e o mar? Em seu olhar perdido Achado no horizonte, o limiar Devaneios? Um mirar no escuro? Um claro desejo Filmes mentais Entre o sono e o bocejo Ela sabe, desperta em sonhos reais Esperta entre os "uis" e os "ais" Descansa na guerra Atira na paz Mas o que ela pensa mais? Em amar o amor? Em extinguir a dor Ou em projetos divinais? Não se sabe, Mas se torce para que não acabe o seu sonho Refletido nas águas Brilhando como um prisma voraz Em raios de luz Na tarde lilás Mas afinal, o que ela olha? Um barquinho à deriva? Pessoas perdidas? A pesca da vida? Talvez o plano seja deslumbrar Talvez, vislumbrar Talvez o olhar e o pensar Que ela lança noite e dia Tenham mais mistérios Do que julga a minha vã filosofia Não vejo seus olhos Mas sei que há neles O cintilar das estrelas ofuscadas Pelo dia Não ouço o seu coração Mas sei que há nele O batimento enigmático da emoção E sentada na relva Sob a luz dourada Ela permanece acrílica Qual pintura impressionista Adornada pelas luzes Do mais grandioso E poderoso artista!

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Versos...

Há uma distância entre nós Um intervalo algoz Um gap que nos afasta Mas que por si só não se basta Uma ponte que deveria unir Mas que nos separa E nesse caminho, nessa seara Um abismo a ruir Em letras frias de mensagens Os verbos sem alegria Só conjugam engrenagens Da mais cinza poesia E minha pele, epiderme nua Geografia que sonha e ferve Ao pensar em ti já sua...

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Delírio

Mesmo que meu coração exploda Não tô nem aí Que se foda Quero a ânsia de te amar Mesmo que o mundo gire ao contrário Mesmo que me achem o otário Ainda assim Vou criar pássaros no aquário Se o tiro não acertar o alvo Ou minha cabeça não estiver a salvo Se tudo ficar cinza E o deserto invadir o mar Ainda assim vou te amar Porque não te vejo em carne e osso Te vejo alma E luz E calma Te vejo sol E rima E isso me alucina Mesmo perseguido pela tristeza Vou sentar à mesa E devorar sua memória Lembrar da nossa história Beber o vinho da sua lembrança Materializar nossa criança Ainda que não tenha mais você Ainda tenho você Pode crer! Mesmo que meu coração exploda Que se foda Vou continuar vivendo Cada emoção de te rememorar Vou lembrar de sua beleza Ao ajeitar seu cabelo E do espetáculo de ver Você se olhar no espelho Meu amor, Aonde quer que eu vá Ali, aqui, acolá Não importa o tempo Ou o lugar Minha rainha, Meu amor, meu amar!

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Há fins e afins

Há muitos fins nessa vida Há fins e afins Finalmente, finda a incerteza O que não finda mesmo É a minha tristeza O delírio de poeta A solidão à mesa Não findam dores Nem nuvens sobre mim Findaram alguns amores Todos se foram, enfim Em mim, findam sorrisos Findam cores E ganham abrigos Alguns versos amigos Que disputam dissabores E no final Tudo que vislumbro É um início moribundo De uma tristeza colossal E um começo de profundo Desalento abissal

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Amor

Só isso

Raiou o amor da gente Um amor assim, diferente Que expulsa a dor que se sente Esse amor que não cala Sentimento eloquente Amor que é presa e é serpente Amor de gente Amor da gente Amor agente de prazer Amor nosso Entre mim e você Amor que é não sei o quê Nem há um porquê Amor calmo Mas também fuzuê Só sei que é amor Nem sei mais o quê Só sei disso Só isso que sei dizer!

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Ah, morena

Ainda desvendo esse mistério E falo sério, Porque não paro de sorrir É só você passar por mim Por mais que eu tente disfarçar Você prende meu foco E eu me esforço Mas me dobro ao seu serpentear Me paralisa E canaliza toda a minha energia Com seu sorriso de Monalisa Em mistério e harmonia Ah, morena Seu contorno é tão perfeito Que chega a ser um defeito E quanto mais me ajeito Ao te ver passar Perco o rumo e o tino Me transformo em menino Só prá te vislumbrar Ah, morena, Casa comigo, você casaria? Vem viver comigo No reino da poesia Casa comigo, você casaria?

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A peleja

A totalidade é metade Completude do inacabado Pois quando acabo Me acabo em lágrimas Rios de frustrações pela incompetência de conseguir acabar O bom é pelejar Pois pelejar é não findar É viver, é sentir o sangue ferver Isso, sim, é pelejar! A vida quando acaba é o fim da peleja O bom é pelejar Sem entregar nada de bandeja Bom mesmo é pelejar E não ver o tempo passar Pois a peleja é grande É um barco que nos leva ao horizonte Ao desejo lascivo de conseguir não terminar Porque o bom mesmo é pelejar!

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Imprecisão

Dois compassos, Acerte o passo Contraponto, contratempo Emoções que afetam o coração Ilusão do amor, Nessa textura gira nosso sentimento Formas, formosura Monumento Quem dera fosse harmonia O amor em solo staccato Poesia de fato De fato a poesia Metáforas Diásporas Por aí afora Sempre ou agora O que importa? Navegar é preciso Preciso é o amor Que atira a esmo Mas sempre acerta o alvo: Qualquer coração que aceite um cortejo!

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