Eu quero encontrar calor
No mar, no rio
Calor até no frio
Calor na cor
Seja ela azul ou roxa
Ou o calor da sua coxa
Quero sentir o ferver da boca
Da minha língua
Queimando em seu umbigo
Sentir o suor do seu rosto
Sentir seu calor e seu gosto
Porque faz frio se você não está
É gelo pra toda vida
Seja aqui, seja lá
Basta você sair ou se virar
Qualquer fogueira vai se apagar
Então chega perto
Traz sua brasa prá cá
Porque se o fogo é certo
Deixa o fogo queimar!
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Sonhos são apenas sonhos?
O que vocês acham?
Talvez, um chamado?
Sonhos sempre se encaixam?
Sonhos são tudo isso
Por isso me permito pensar
Sonho é isso, é aquilo, é enguiço
Sonho é o que você sonhar
Sonho pode ser um poema
Um sorteio improvável
Pode ser um objetivo
Um desejo projetável
Mas o que eu sei
E acho que vocês também
É que o sonho é uma arma
Mas que serve para fazer o bem
Então, meus amigos
Permitam-se sonhar
Abram bem as suas asas
E se ponham a voar
E quando pousarem
Desse voo que proponho
Não se esqueçam de que voaram
Para alcançar o sonho!
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Escrevi este poema ao ver uma linda mulher sentada de frente para o mar, contemplando a imensidão azul
Que mistérios pairam sobre o seu olhar?
Que saudades, que mais entre o céu e o mar?
Em seu olhar perdido
Achado no horizonte, o limiar
Devaneios? Um mirar no escuro?
Um claro desejo
Filmes mentais
Entre o sono e o bocejo
Ela sabe, desperta em sonhos reais
Esperta entre os "uis" e os "ais"
Descansa na guerra
Atira na paz
Mas o que ela pensa mais?
Em amar o amor?
Em extinguir a dor
Ou em projetos divinais?
Não se sabe,
Mas se torce para que não acabe o seu sonho
Refletido nas águas
Brilhando como um prisma voraz
Em raios de luz
Na tarde lilás
Mas afinal, o que ela olha?
Um barquinho à deriva?
Pessoas perdidas?
A pesca da vida?
Talvez o plano seja deslumbrar
Talvez, vislumbrar
Talvez o olhar e o pensar
Que ela lança noite e dia
Tenham mais mistérios
Do que julga a minha vã filosofia
Não vejo seus olhos
Mas sei que há neles
O cintilar das estrelas ofuscadas
Pelo dia
Não ouço o seu coração
Mas sei que há nele
O batimento enigmático da emoção
E sentada na relva
Sob a luz dourada
Ela permanece acrílica
Qual pintura impressionista
Adornada pelas luzes
Do mais grandioso
E poderoso artista!
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Há uma distância entre nós
Um intervalo algoz
Um gap que nos afasta
Mas que por si só não se basta
Uma ponte que deveria unir
Mas que nos separa
E nesse caminho, nessa seara
Um abismo a ruir
Em letras frias de mensagens
Os verbos sem alegria
Só conjugam engrenagens
Da mais cinza poesia
E minha pele, epiderme nua
Geografia que sonha e ferve
Ao pensar em ti já sua...
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Mesmo que meu coração exploda
Não tô nem aí
Que se foda
Quero a ânsia de te amar
Mesmo que o mundo gire ao contrário
Mesmo que me achem o otário
Ainda assim
Vou criar pássaros no aquário
Se o tiro não acertar o alvo
Ou minha cabeça não estiver a salvo
Se tudo ficar cinza
E o deserto invadir o mar
Ainda assim vou te amar
Porque não te vejo em carne e osso
Te vejo alma
E luz
E calma
Te vejo sol
E rima
E isso me alucina
Mesmo perseguido pela tristeza
Vou sentar à mesa
E devorar sua memória
Lembrar da nossa história
Beber o vinho da sua lembrança
Materializar nossa criança
Ainda que não tenha mais você
Ainda tenho você
Pode crer!
Mesmo que meu coração exploda
Que se foda
Vou continuar vivendo
Cada emoção de te rememorar
Vou lembrar de sua beleza
Ao ajeitar seu cabelo
E do espetáculo de ver
Você se olhar no espelho
Meu amor,
Aonde quer que eu vá
Ali, aqui, acolá
Não importa o tempo
Ou o lugar
Minha rainha,
Meu amor, meu amar!
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Há muitos fins nessa vida
Há fins e afins
Finalmente, finda a incerteza
O que não finda mesmo
É a minha tristeza
O delírio de poeta
A solidão à mesa
Não findam dores
Nem nuvens sobre mim
Findaram alguns amores
Todos se foram, enfim
Em mim, findam sorrisos
Findam cores
E ganham abrigos
Alguns versos amigos
Que disputam dissabores
E no final
Tudo que vislumbro
É um início moribundo
De uma tristeza colossal
E um começo de profundo
Desalento abissal
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Raiou o amor da gente
Um amor assim, diferente
Que expulsa a dor que se sente
Esse amor que não cala
Sentimento eloquente
Amor que é presa e é serpente
Amor de gente
Amor da gente
Amor agente de prazer
Amor nosso
Entre mim e você
Amor que é não sei o quê
Nem há um porquê
Amor calmo
Mas também fuzuê
Só sei que é amor
Nem sei mais o quê
Só sei disso
Só isso que sei dizer!
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Ainda desvendo esse mistério
E falo sério,
Porque não paro de sorrir
É só você passar por mim
Por mais que eu tente disfarçar
Você prende meu foco
E eu me esforço
Mas me dobro ao seu serpentear
Me paralisa
E canaliza toda a minha energia
Com seu sorriso de Monalisa
Em mistério e harmonia
Ah, morena
Seu contorno é tão perfeito
Que chega a ser um defeito
E quanto mais me ajeito
Ao te ver passar
Perco o rumo e o tino
Me transformo em menino
Só prá te vislumbrar
Ah, morena,
Casa comigo, você casaria?
Vem viver comigo
No reino da poesia
Casa comigo, você casaria?
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A totalidade é metade
Completude do inacabado
Pois quando acabo
Me acabo em lágrimas
Rios de frustrações pela incompetência de conseguir acabar
O bom é pelejar
Pois pelejar é não findar
É viver, é sentir o sangue ferver
Isso, sim, é pelejar!
A vida quando acaba é o fim da peleja
O bom é pelejar
Sem entregar nada de bandeja
Bom mesmo é pelejar
E não ver o tempo passar
Pois a peleja é grande
É um barco que nos leva ao horizonte
Ao desejo lascivo de conseguir não terminar
Porque o bom mesmo é pelejar!
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Dois compassos,
Acerte o passo
Contraponto, contratempo
Emoções que afetam o coração
Ilusão do amor,
Nessa textura gira nosso sentimento
Formas, formosura
Monumento
Quem dera fosse harmonia
O amor em solo staccato
Poesia de fato
De fato a poesia
Metáforas
Diásporas
Por aí afora
Sempre ou agora
O que importa?
Navegar é preciso
Preciso é o amor
Que atira a esmo
Mas sempre acerta o alvo:
Qualquer coração que aceite um cortejo!
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