Um filtro de sonhos que balança
Só passam pesadelos, como tu
E com a mão no peito que avança
Eu vou, e do meu amor me afasto
Assisto a tudo por essa janela
Luz profunda e o puro breu
Chiaroscuro, e quem diria
Que foi você quem apareceu?
Cabelos pretos e reluzentes
Seria impressão leviana?
Ou eles são mesmo remetentes
De uma rocha obsidiana?
Sua pele tão clara, seu coração em trevas
Seu hoodie com poster clássico de Star Wars
E sua indiferença, sim, sua indiferença
A ela eu percebi
Sua voz, mais doce do que qualquer som
Seu abraço mais abrangente do que tudo
O seu monotônico tom que muda meu mundo
Pensa que esqueci?
Suas lições de moral impecáveis
Seus desenhos tão invejáveis
Sua aparência, ou, carência, ou, seria a inteligência?
Se cuida, tem um filho da puta atrás de ti, e é suicida
Compararam o amor, ao tomar cicuta, sim, é doença
Mas que falta você faz! Fortalece minha crença...
Mas o pior não é seu ódio...É sua indiferença
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Eu jurei que não voltaria a rimar pra você, de verdade
Dizem que sem passagem de tempo não se vê maturidade
Otavio, no Vaporwave, inventa...Me deixa inseguro
A utopia de 80 é De Volta Pro Futuro
Sim, Millenial, Geração Y, genial em cordas de nylon
Estou sambando e me equilibrando sobre o violão
E pra todos que violam essas leis por rebeldia
Desconhecem nosso arrabalde no dia a dia
2K18, Vila Yara, para o mapa e o calendário
Afoito e lívida na capa de um conto lendário
Enquanto rabisco uns versos sem importância
Como fixar uma história na memória sem usar da redundância?
Eu li minhas antologias! Tá aqui a pesquisa!
São meras analogias, sei que nem precisa
Basta olhar na Wikipédia e sua mídia
Onde vi que sua média é uma baita perfídia
Pra Shakespeare, como verão, o Verão
Era pra vir como um varão
E nossa homofobia, eu juro
Que é um homicídio sem apuro
A verdadeira praga
Que o tempo apaga
Torna-se bem mais que factível
Que crer em poetas não é infalível
Por isso o quer que eu conjecture
A partir de agora será um Non Sequitur
Sou hipócrita? Limpo na escrita!
Recomeçar a partida não é mudar de vida
Minha falha exige fala, as trevas surgem da luz
Se cito Nietzsche outra vez, me repreendem por Jesus!
Nem reclame...Vamos por Camus, e a morte artística
Estou rimando um novo jeito de contrariar a estatística
Você não quer que eu me importe? Mas empatia é meu único dom
E quando te chamei de suicida você disse: "Que bom!"
Se seu sorriso me atrai, seu choro me prende, acontece...Afe
Mas eu nunca pedi por uma XO TOUR LIFE!
Enquanto rabisco uns versos sem importância
Como fixar uma história na memória sem usar da redundância?
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Minúsculo leito
Leitor, que tensões!
Pequena é a cama
Pra quem ama Camões!
É tão estreita que o peito ressoa
Mas não penso em mobília
Só quero Pessoa!
Vem bem nem sei de onde
Dor que chega aos montes
E me lembra a Drummond!
Se a morte com destreza
Me levar por caminhos tortos
Dormirei na certeza
Dos meus amigos já mortos!
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Por pífaros profanos
Pifando no faro
Por dias diáfanos
Eu fano e paro
Respiro o ar profundo
Por gargantas rasgadas
Com traço mais imundo
Do que o de minhas pegadas
Vi que me basto a pó
Me satirize
Me martirize
Mas não me deixe só!
Ou até me rodeie
De forma infame
Me odeie
Mas se ame!
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Acanhei-me vendo Odisseu
Berram canhões, que disseram
Voltando a tomar o que é seu
Numa jangada cimbre atraca
A jogada se acha no timbre
De sua marcha à Ítaca
"Terra mãe! Aos olhos és colírio!"
Finalmente ele relatou
"À mente és delírio!"
Inexistem grupos que não amem
Inda invejo dada visão
Ele era exemplo de um homem!
Sem seu feitio
Sem suas medalhas e galardão
Me vi fraco como galho no estio
Sem investigar a causa
Me senti ermo
Como fora de casa
E como desenrolar
O meu pergaminho de vida
Se tão longe do meu lar?
A cada tragédia
A cada batalha
Fazia uma falha média
E fez, do proêmio, epopéia
Enfim a musa
Do boêmio, prosopopéia
"És sopro que acorda os que dormem
De fato, não és um exemplar de um humano
Saiba que és, de todos, quem chamo: 'O Homem!'"
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Vejo a quadrilha da vida
Todos trocam de par
Mas o último sempre é a morte
Guerra mal dividida
Deixa o cheiro ao ar
Da pura sorte
Eu vejo a borboleta batendo asas
E vejo o olho do furacão
Eu vejo a noz ser esmagada
E espalhada no chão
E eu, tão conscientizador
Quero ser como ambas no verso
E assim me livrar da dor
Governando o universo
Todos dançam
Todos morrem
Alguns tristes
Outros felizes
Alguns cansam
Alguns correm
Pelas matizes que existem
As vezes nos vitimizamos
Outras vezes temos a sensação de poder
De controle, mérito e bem-querer
Mas no final...Morremos
Por isso é tão fácil comer um peixe
Que comeu um verme que comeu um rei
Mas revelar um pouco mais me deixe
Os seres humanos visam sucesso
Se esforçam por ele
E isso devia bastar
Pois o que garante
Que nós iremos alcançar?
Nada, é a resposta
Assistirmos o ocaso
É rirmos da aposta
É fruto do acaso
Ainda assim há felicidade
São felizes e eu também serei
Sem comodidade, sem ser rei
Mas minha pergunta aqui, moço
Enquanto sentado no fundo do poço
É: Como medir meu esforço
Se tudo que toco vira pó?
Já estou louco, já sou digno de dó
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Não quero um amor incondicional
Nem uma liberdade condicional
Quero um resultado de gente
Somando trabalho diligente
Delego tanto e exijo energia
Mas tudo que peço é sinergia
Sim, ser amado! Contanto...
Só conquanto eu mantenha contato
Com tanto cara para ser escolhido
Que eu não seja preferido
Por um mero signo
Mas por ser digno
De fato, sou imperfeito
Não nego meus defeitos
E não quero que ame eles
Mas que me ame apesar deles
Pois transcendo o que me transpassa
Não sou só engraçado
Também sou uma desgraça!
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When I give you words
I surely want them back
I won't watch'em fall in worlds
Made wholes by void and black
I never raised the doubt
About you being gently pure
I just have the habit to shout
And of being simply insecure
What I want you to see
Is that I'm doing my best
I can't ever be free
If this day is the last
Staring at you above
I know how much I lack
'Cuz when I give you love
I surely want it back!
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Os opostos se atraem
Os apostos se distraem
E sobramos ambos
Um autor sob sua tutela
Proponho a "raíz" e a Nutella
Na sombra, escambos
Algo que és
Algo que tens
Algo que sabes
A autenticação segura requer
Porém como frutas colhes
A relação madura tem de ser
Somente algo que escolhes
Hoje falar aos cotovelos
Até a matina
Beijar seus cabelos
Pura platina
Dei valor
Ao labor
O nome que te chamo
Não some, por quê?
Porque eu te amo!
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A Fernando Pessoa, lê?
Não digas, sê!
Só assisto meu ego
Subexisto qual cego
Aos desaforos
Aos semáforos
Que me enchem de ciúmes
Se fazendo incólumes
Vagalumes, soltos, divagam no breu
E você é o único destes que me conheceu
Na reciprocidade de sua partida
Você mudou a merda da minha vida!
É isso que queria de você:
Nada digas, antes sê!
A Fernando Pessoa, enfim...
E quanto a tu
Que queres de mim!?
Serei diligente, sem mente dividida
Como mudar a sua vida...?
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