Natal em pleno pálido luar
A ceia é o vácuo, o cálice é de fel, Nesta noite de luz que eu não mereço; O mundo ri sob o luar de mel, Enquanto eu, na sombra, me esvaneço. O frio morde a carne, o peito estala, Não há calor de seio ou de lareira; A solidão caminha pela sala, Minha única e pálida companheira. Olho a lua — essa noiva de finados — Que banha o meu tédio em prata fria; Somos dois astros sós, abandonados, Nesta farsa de festa e de alegria. Oh! Antes a morte em seu lençol de gelo, Que este Natal de sonhos deserdados... Ter por alento apenas o flagelo De ver meus dias todos sepultados. Poesia de: Jair o Bardo
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