Soneto do Bardo errante
De: Jair o Bardo Oh brisa errante, doce e tão sutil, Que beija as folhas com gentil lamento, Levaste o canto dela — amor febril — Num véu de sonho, ao léu do firmamento. Com lira em mãos, vaguei por céus e chão, Buscando a voz que à noite me encantava; Mas só ecoa em mim, na solidão, O som que a ausência dela desatava. Por vales fundos, monte e campo andei, E ao vento roguei: “Traz-me seu calor!” Mas ele, em riso, disse: “Já voei, Levei comigo a essência do teu flor.” E o bardo, triste, ao céu então cantou: “Se amor é vento... que em mim sempre soprou.”
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