A rosa afogada
— em tons lúgubres de um amor que transborda— Oh! Rosa, que em silêncio me sorria Nas tardes lânguidas de dor sem fim, Te vi tremer ao toque da ventania, Mas cuidei de ti... talvez demais de mim. Com mãos febris, reguei-te em desatino, Temendo o sol, teu vulto delicado. E em cada gota, um verso cristalino, Mas teu perfume ia sendo apagado... Não vi que a seiva já se afogava No pranto terno que a ti ofertei, E tua alma em pétalas chorava O zelo cruel que sem ver te dei. Por te querer viva, forte e florida, Matei-te aos poucos — flor da solidão! Teu caule pende, pálida e vencida, Na tumba em flor do meu coração. E eu, poeta, amante desmedido, Que quis com amor salvar-te da dor, Fui carrasco — um anjo corrompido Que mata a rosa afogado de amor. Jair o Bardo Para Leoa de Cintra
Comentários · 0
Nenhum comentário ainda. Entre para ser o primeiro a comentar.