Quarta-feira,
há uma perspectiva,
algo que muda todas as madrugadas,
o meu simples desejo de ser,
um poeta tentado tocar
as coisas sagradas,
mas falho como todas
as pequenas farsas.
Porque não, não sei usar a razão,
sou um mago empírico,
tudo que aprendi foi com o toque,
mordendo, batendo e arranhando,
mas ninguém aqui sabe a origem
do meu nome,
ou o porquê costumo povoar
os pesadelos.
Nessa cidade todos me odeiam,
tarde após tarde tramam me jogar
na fogueira, mas tenho o dom
da intangibilidade, e garras retráteis
afiadas dentro da cabeça,
sei que sou o mal a ser detido,
a grande fera desse lugar,
por isso toda as noites em peso
penso apenas como irei matar,
matar essa vontade feroz
de ser mais do que eu mesmo.
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Sangrar,
como se dignificasse.
Na surdina querido, eu sou
aquele que tem fé em tudo,
filho da ausência,
como um vislumbre do horizonte,
intocado, sempre além mar,
um corpo etéreo e distante,
o fantasma invisível para todos
nesse lugar.
Esperando ser visto e tocado,
observando Afrodite, Ágape e Eros,
como se pudesse ser amado,
eu não posso, mas espero.
Em secreto.
Porque todos esses filhos da puta
no meu celular, querendo me foder,
ou me matar,
eles me veem, mas não me enxergam,
eles não se importam com
o que penso e tenho a dizer,
aquilo que escondo abaixo da carne,
e do sexo.
Aquilo que só quero mostrar
a você, porque eu costumo
foder com tudo, mas agora
só quero foder com você.
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Vivendo para ser bonito.
Hoje estou desejando morrer,
não consigo, meu coração pesa,
o peso de um eternidade,
toneladas esquerda e direita,
e essa é a verdade; não consigo viver.
Estou há anos tentando
me fazer sensível,
ao toque, a vida, ao espírito,
mas ninguém consegue me conhecer,
estou impenetrável, imutável como
uma ideia definitiva,
vivendo setes chamamentos
para uma vida,
sete chaves que me levam
ao fundo da minha alma,
em uma forma aguardo,
uma forma de não imergir
em lágrimas,
mas eu não consigo; não consigo viver.
Estou rasgando as costuras,
sangrando o corpo, alma e a caneta,
com mil e um pensamentos de fuga,
sobreposto como dominós
na minha cabeça,
desabando todos de uma vez.
Vivendo para ser bonito,
eu estou querendo morrer,
e assim me sentir digno,
de algo que nunca pude ter,
assim me sentir divino,
como nunca pude ser.
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Sinto o seu nome constantemente nos meus lábios, S-a-n-t-i-a-g-o.
E respiro por tubulações, em um jardim, esperando o dia que finalmente o diabo,
virá até mim, e eu não terei onde me esconder, esconder o meu coração,
mas a palavra que é proferida não volta vazia,
e eu tenho proferido repetidamente as mentiras que você me contou,
em um ritual para a minha libertação.
Tenho tentado constantemente expulsar o
seu toque macio e corpo quente da minha imaginação,
porque só a verdade agora pode me livrar
do seu mal.
Por isso tenho priorizado a minha razão,
e tentado a todo custo te matar,
e nos livrar dessa maltida ligação, e todos
os malditos motivos que me fazem te amar,
sobre o sucateamento do famoso paraíso dos sonhos humanos,
estou fugindo dos seus perversos planos.
Você viu as consequências que uma contemplação mal elaborada sobre a vida pode trazer,
em um corpete sobreposto elegantemente sobre a camisa recém engomada,
mas tocar a sua mão essa manhã
me fez novamente querer ir em busca de respostas, explicações para as razões das minhas mágoas, e chateações.
E agora estou aqui, com um pequeno resquício de giz do passado, sendo exaustivamente soprado do apagador
da minha mente,
e estou aqui sentado na baixa luz,
tentando esquecer o mal que você
me fez naquela segunda-feira quente.
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Estou com o silêncio agora,
fincado, cravado como uma cruz,
nas profundezas à parte da minha carne,
e agora, retorno a ser alguém,
uma suave brisa de final de tarde,
antes de novamente quebrar,
e partir para o além.
Agora, sou eu outra vez,
uma montanha de carne
e poeira,
um amontoado de átomos,
buscando uma resposta definitiva
e verdadeira,
procurando deus nos espaços
que não foram preenchidos
na minha cabeça,
invocando Satanás no meu quarto,
eu tenho a pressa derradeira,
preciso de alguém para confiar,
preciso de um ombro para encostar
a cabeça.
Mas ninguém nessa cidade
me conhece,
tenho me mantido desconhecido,
apenas em contato comigo mesmo,
e de cinco ou seis amigos,
mantendo a minha alma
em segredo,
apesar de me comunicar
com alguns espíritos.
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Eu posso me moldar,
acomodado as bordas
do teu coração,
Divino, entregador de cartas.
Mas não diga quem sou,
ou o que fui,
não me meça pelas palavras.
Tenho sido duro,
doce apenas em segredo,
um tanto por vaidade,
dois tantos por medo.
Existindo em uma mistura
de beleza e fúria.
Eu tenho, um corpo de 1,74,
quente e macio, revistido por uma
armadura de aço, e pelo desejo
de ser sozinho.
Mas você sabe de tudo,
e não sabe nada,
anjo de toque gentil,
senhor atirador de facas.
Então não me chame por outro nome,
não me tenha como um segredo,
não sei viver como os outros,
não sei não ser verdadeiro.
Por isso, sai de casa naquela manhã,
e fugi de todos os meus amigos,
fugi de todos os meus sonhos,
e do desejo de ser redimido,
fugi de tudo que tinha para fugir.
Porque na verdade estou cansado,
cansando simplesmente de fingir.
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Há de César o que é de César,
e fogo pleno em campo aberto.
Deus, estou com uma flecha
fincada no peito, sobrio, louco,
e perdido, o mundo é um desejo,
quando estou sozinho, apenas
acompanhado do meu ansiolítico,
e meu medo, mas viver tem sido
uma pequena maldição,
tenho vivido em segredo, entre
o amor e a depressão.
Uma criança inocente, brincando
em uma gangorra sobre um abismo,
eu não caio como os meus antepassados,
não estou bêbado como o meu pai,
e não tenho uma boa reputação
com Deus como a minha mãe,
tenho feito escolhas ruins,
tentando, tentado como um tonto
a ser feliz.
E estou lidando com isso,
sou solitário, sou poeta, sou ciclotímico.
Pode lidar com isso?
Ou vai partir quando vier?
O mundo não está caindo sobre mim,
mas eu o sinto, sinto a dor de reencarnações,
sinto medo dos meus amigos,
me escondo para sobreviver,
sinto gritos ao meus ouvidos
no silêncio onde ninguém pode me ver.
Estou assustado por poder sonhar,
estou assustado por querer realmente
foder com você.
Você pode lidar com isso?
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Fique perto do tempo,
não desapareça como essas
costuras,
fiar, fiar, fiar as linhas das mãos,
fique antes que seja tarde demais,
e não haja mais um lugar para
sua máquina de costuras
no meu coração
Mas rasgue, arranque minhas roupas,
e então me vista em rubro, e franciscano,
faiscando com o agridoce da bebida,
me deixe nu nu vento bufónico,
bucólico, me deixe salgado com ervas
e especiarias do campo,
para que a minha carne enfervesça,
e você possa colocar em silêncio,
a mesa, a casta, os panos,
me coma como um pecado,
em um homem, um corpo, um sonho,
me abra como a caixa torácica,
o jarro de Pandora, o livro secreto
dos anjos,
porque meu peito é dourado,
e os meus fluídos são ouro,
me beba o sangue e a porra.
Tudo em mim é valioso.
E toque a minha língua, a minha lira,
toque o meu inconsciente sombrio,
todos que estão no tempo agora,
findam, findan histórias, enquanto
suas mão firmam, firmam o meu quadril,
e as suas ligaduras rasgam, rasgo
minhas roupas, enquanto suas unhas arranham as minhas costas, e você
fode a minha boca.
Então ligo, aos trapos, as janelas, e as portas,
ligo em silêncio o rádio, espero o silêncio ir embora, espero você no meu quarto,
duas da manhã, todos nessa cidade dormem,
mas a gente não, a gente faz uma sessão
de rupturas, quebrando o coração mais
uma vez,
apenas para não estar sozinho, solitário quando bater ás três, porque assim estou
à fazer costuras, costurando o tempo
em você, e o amor jogado nas ruas, aprendendo aprender a não se envolver.
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Me quebraram em trinta partes,
azulejo severo e cervical,
porque era o preço para ser bonito,
e eu paguei com juros,
porque queria ser belo e angelical.
Queria saber como ser um anjo,
navegando sobre a tristeza,
fui criado nu em dor,
despedaçado como um quebra-cabeças,
mas agora posso ser amado,
admirado como um pequeno milagre,
sou um pedaço da natureza devorado
em sexo e virgindade, nascido
como Atena, brilhante sobre a cabeça,
quero ser adorado pelo martírio,
de não ser mais belo que
a minha tristeza,
um mártir enganado, um pedaço
de estrela, levemente conturbado,
perturbado por essa beleza, a beleza
de estar condenado,
preso por correntes de ferro e cadeia,
preso por seus próprios passos errados,
preso pela sua própria natureza.
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Abro os olhos, meio tonto.
No entanto nunca chego a me
enxergar; vivo, solitário e cego.
Me veja, só assim sentirei a existência
a minha vista,
preciso de um lugar para chamar
de lar,
preciso de alguém para chamar
de vida.
Me oriente, me der sentido,
me pinte com as sua cores,
me cante, razões, propósitos, motivos.
Me oriente pelas suas dores.
Porque o meu querer
é desenvoltura,
e a caminhada incertezas,
quero querer te querer,
para ter sempre alguém preenchendo
a minha cabeça.
Então me mantenha em detrimento,
da sua parte e vontade,
meu querido senhor do tempo,
meu único bem-querer, liberdade.
O único dos bons momentos.
E eu permito, permito a ti mergulhar
na minha saliva, pregar as suas palavras
na minha garganta,
fazer da minha língua, a sua língua.
Pode adentrar, nade até o meu sangue,
se alimente do meu plasma,
e hemoglobina,
trilhe o seu caminho nas minhas artérias,
faça da minha caixa torácica a sua casa,
faça da minha matéria, a sua matéria.
Viva em mim, me construa, reforme, destrua; faça o que quiser fazer,
porque eu tenho medo de ser sozinho,
temo igualmente viver e morrer,
preciso de alguém para me mostrar
o caminho,
então seja ela, ele ou você.
Me guie pela sua vista,
então assim poderei me ver, vivo
e solitário através das suas retinas.
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